quinta-feira, maio 14, 2015
Aprendendo a torcer pelo Galo
Em momentos como o de hoje, muitos irão aprender a torcer para o Atlético Mineiro. Torcemos contra o vento, mas torcemos também contra as palavras faladas na emoção, sem ponderação. Torcemos pelo Galo nas vitórias e nas derrotas. O Campeonato Brasileiro vem aí e o time precisa de apoio total da Massa. É um título que queremos há 44 anos. Com nosso apoio ele virá. Não temos um elenco composto apenas por Pelés. Mas temos grandes jogadores que nos proporcionaram os maiores títulos de nossa história. Como Luan, Jô, Victor, Ronaldinho Gaúcho, Marques, Guilherme, Cerezo, Kafunga, Dadá Maravilha, Dátolo, Guará, Réver, Mario de Castro, Rei, nosso eterno Rei. O mínimo a se fazer é louvar suas conquistas. E claro, cobrar, como torcedor inteligente, da melhor forma possível: marcando presença na arquibancada e torcendo, levantando a moral de nossos jogadores e gerando tremor em quem vir nos enfrentar. Nossa torcida é famosa no mundo todo, não pelas atitudes de Maria. Largar o time em uma derrota e só voltar depois de 3 boas partidas. Isso não. Jamais. Nossa torcida mais antiga, a que torceu pelo Galo em inúmeros campeonatos perdidos e soube comemorar como ninguém, já sabe o que é torcer pelo Galo. Outros muitos aprenderam hoje. Não aprenderam nas conquistas. Aquilo foi somente a coroação de tantos anos de dedicação. Vaia no estádio é absolutamente inaceitável. Quer ajudar um jogador a se recuperar no elenco? Envie um e-mail a ele, uma mensagem inteligente nas redes sociais, com uma análise realista, mas respeitosa. É a única forma que você mostrará o verdadeiro grandioso torcedor que é, parte integrante da magia da Massa. E claro, compareça ao estádio nas partidas de meio de tabela, contra uma Chapecoense, da mesma forma que comparece depois de vitórias consecutivas. Afinal, elas só chegam com seu apoio fundamental nas derrotas. O grito que empurra o adversário pra fora do estádio e levanta nosso time. Aqui é Galo, sempre, acreditando. E apoiando. De verdade.
sexta-feira, dezembro 10, 2010
O fim do jogo de equipe
Queria ter escrito esta coluna quando o campeonato mundial de Fórmula 1 terminou este ano. Mas o tempo passou um pouquinho e eu acabei vendo o documentário sobre o Senna antes de escrever algo. Antes de ver o filme, eu escreveria principalmente sobre a importância do Sebastian Vettel ter ganhado este campeonato por seus méritos próprios, sem jogo de equipe. Depois de ver, quero falar também sobre tecnologia e carros de corrida.
Aproximadamente dois anos antes de sua morte, Senna já demonstrava sua preocupação em ver a tecnologia começando a ficar mais importante que os pilotos. Quando ele morreu, já parecia nítido que havia um piloto chamado “tecnologia”, outro também, outro chamado Senna. Dezesseis anos depois, o assunto principal já não é mais tecnologia. Parece que o circo do automobilismo já se contenta em ver o campeonato dominado por duas ou três equipes no máximo. A discussão fica agora sobre como deixar o campeonato um pouco mais emocionante. Os 25 pontos por vitória ajudaram bastante na retomada da emoção. A segunda e grande discussão: sobre o jogo de equipe, se deve continuar ou não.
A vitória da Red Bull significa muito para esta discussão. Primeiro que o nome da equipe que valorizou o talento humano é este aí mesmo, Red Bull. E não RBR como tenta disseminar Galvão em terras brasilis. O resto do mundo nunca ouviu falar de RBR, só ele mesmo apareceu esta invencionice de “ah, me dá dinheiro diretamente que eu falo o nome completo da equipe”. Santa moeda, Batman! Por sinal, para construir esta matéria, entrei na seção de Fórmula 1 do portal UOL. Lá, a equipe se chama Red Bull, como no resto do mundo.
E aí, ao que interessa de verdade, a discussão sobre “jogo de equipe”. Quem acompanhou as transmissões da Globo deve ter reparado na torcida pelo Mark Webber ganhar o campeonato, por estar mais velho, por ser supostamente sua última chance, dentre outros argumentos. É uma torcida que até faz sentido, mas que esbarra em definitivo diante de 10 pole positions do Vettel, por exemplo. A Red Bull deu uma das maiores lições de esportividade dos últimos tempos, ao não participar deste papo de jogo de equipe, e deixar a competição reinar. Senna já dizia: em automobilismo, ou você entra para ganhar, ou melhor tentar outro esporte. Não faz sentido dedicar-se ao máximo por dez corridas, depois deixar o companheiro de equipe o ultrapassar, pois no momento ele tem mais pontos no campeonato. O Brasil ilustra muito bem isso. Talvez seja historicamente o país que foi mais afetado por esta besteira de aceitar jogo de equipe. Barrichello e Massa, que são dois bons camaradas, bons e ricos seres humanos, deixaram-se levar pelo medo de perderem seus lugares na Ferrari, e aceitaram que Schummy e Alonso continuassem suas sagas de vitórias. Em troca, perderam milhões de pontos de popularidade entre os torcedores brasileiros principalmente, mas do mundo todo também, o que foi o pior. Se você alinhar Piquet, Senna, Schumacher e Alonso em uma fila, verá campeões mundiais,gênios da F1, não é? E se alinhar Prost, Lauda, Massa e Barrichello, pode-se dizer o mesmo? Acho que não...Parece que o Brasil perdeu o bonde da história.Rubens já está encerrando sua carreira, belíssima por sinal,o maior pontuador da história, mesmo sem ter sido campeão mundial. Massa corre o risco de ficar de fora da Ferrari, perdendo seu lugar para Nico Hulkenberg.
Massa é brasileiro. Hulkenberg é alemão. Assim como Vettel, o novo campeão.Assim como Schummy, que aproveitou o desaparecimento de Senna e escreveu seu nome na história. Parece que a Alemanha ocupou o lugar do Brasil no topo do pódio. E sua vizinha, a Áustria, nos trouxe a equipe Red Bull, que decretou o fim (por enquanto) do jogo de equipe na Fórmula 1. Que os pilotos brasileiros aprendam com isso, e voltem a nos dar um banho dominical de alegria, como fazia Aírton. Que o Felipe seja “da massa”. E que a emoção reine, independente da bandeira. Quadriculada ou verde amarela.



