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sexta-feira, março 25, 2011

Vai começar tudo de novo

O circo da Fórmula 1 volta a alegrar as telas brasileiras e mundiais, a partir deste próximo domingo, às três da madruga, direto da Austrália. Como sempre, os chefões correm para alterar as regras do campeonato para que os pilotos possam produzir mais emoções em rodas.

As grandes novidades são a volta do KERS, depois de um ano fora do circuito, e a introdução da asa traseira móvel. Tanto o KERS, que gera mais energia depois das freadas aumentando os cavalos do motor, quanto a asa traseira móvel, em que o piloto poderá alterar seu ângulo para obter mais velocidade nas retas ou ultrapassar, podem ser grandes diferenciais da emoção neste ano, em relação ao morno 2010 da F1. Entre os pilotos, o alemão Sebastian Vettel tem tudo para conquistar o bicampeonato de forma ainda mais tranquila. O carro da Red Bull está melhor ainda, e o jovem piloto alemão, mais experiente e ainda mais confiante depois do título. Como grande rival dele no ano, colocaria novamente minhas fichas em Fernando Alonso.

E se for para apostar em uma surpresa correndo por fora, colocaria minha torcida brasileira na disputa e selecionaria Felipe Massa. Este ano de 2011 é, sem dúvida nenhuma, decisivo para ele. Relembrando os anos anteriores, em 2008 ele deveria ter sido campeão. Perdeu no último minuto para Lewis Hamilton por estas coisas que só acontecem na F1. Em 2009, teve a infelicidade de ser alvo da peça solta do Rubinho. 2010 pode ser considerado o ano da volta ao circuito, mas ainda meio fora de forma por causa da longa recuperação. Chega 2011 para ser o ano principal da carreira dele. Se não vier um título ou uma competição ferrenha com Alonso lá no topo, Felipe Massa poderá arrumar suas malas e partir para o resto de sua carreira em equipes menores. Ou, quem sabe, no máximo um recomeço em uma das rivais da Ferrari, que a seguir venha a se preparar especificamente bem em um determinado ano. Assim como aconteceu com a combinação Mark Webber/Red Bull, que quase deu certo no ano passado e tirou do ostracismo o já veterano piloto australiano. Ou em 2009, quando Jenson Button deu uma super guinada na carreira sagrando-se campeão da temporada, quando ninguém esperava muito mais dele. Os olhos dos britânicos e do mundo estavam em outro britânico, Lewis Hamilton. Que, diga-se de passagem, não deixou de ser um piloto excepcional. Apenas não o coloco entre os favoritos devido à pré-temporada da McLaren não muito promissora.

Por tudo isso, a torcida brasileira precisa estar especialmente afiada neste ano de 2011 para Felipe Massa. O piloto precisa fazer de sua especialidade, a obstinação, um trunfo maior. É tudo ou quase nada. Tem que pensar assim. Neste 2001 não contaremos com três brasileiros. Além de Felipe Massa, dou uma bala para quem acertar qual é o segundo piloto brasileiro. Sim, você acertou, Rubens Barrichello. Um ano para ele aumentar ainda mais seu recorde de longevidade, principalmente o de piloto que mais disputou GPs na história da F1. Se o brasileiro conseguiu chamar (e com razão) até um dos nossos maiores ídolos do futebol de “Gordo”, é devido a nosso intenso e eterno humor propício às piadinhas e ao escárnio. Rubinho não ficaria fora desse humor brasileiro. Não tem um título maior, não substituiu Senna, como idealizado pelo povão. Mas é, sem dúvida, um daqueles pilotos que entrarão para a história. Com piadinha e tudo.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

O fim do jogo de equipe

Queria ter escrito esta coluna quando o campeonato mundial de Fórmula 1 terminou este ano. Mas o tempo passou um pouquinho e eu acabei vendo o documentário sobre o Senna antes de escrever algo. Antes de ver o filme, eu escreveria principalmente sobre a importância do Sebastian Vettel ter ganhado este campeonato por seus méritos próprios, sem jogo de equipe. Depois de ver, quero falar também sobre tecnologia e carros de corrida.

Aproximadamente dois anos antes de sua morte, Senna já demonstrava sua preocupação em ver a tecnologia começando a ficar mais importante que os pilotos. Quando ele morreu, já parecia nítido que havia um piloto chamado “tecnologia”, outro também, outro chamado Senna. Dezesseis anos depois, o assunto principal já não é mais tecnologia. Parece que o circo do automobilismo já se contenta em ver o campeonato dominado por duas ou três equipes no máximo. A discussão fica agora sobre como deixar o campeonato um pouco mais emocionante. Os 25 pontos por vitória ajudaram bastante na retomada da emoção. A segunda e grande discussão: sobre o jogo de equipe, se deve continuar ou não.

A vitória da Red Bull significa muito para esta discussão. Primeiro que o nome da equipe que valorizou o talento humano é este aí mesmo, Red Bull. E não RBR como tenta disseminar Galvão em terras brasilis. O resto do mundo nunca ouviu falar de RBR, só ele mesmo apareceu esta invencionice de “ah, me dá dinheiro diretamente que eu falo o nome completo da equipe”. Santa moeda, Batman! Por sinal, para construir esta matéria, entrei na seção de Fórmula 1 do portal UOL. Lá, a equipe se chama Red Bull, como no resto do mundo.

E aí, ao que interessa de verdade, a discussão sobre “jogo de equipe”. Quem acompanhou as transmissões da Globo deve ter reparado na torcida pelo Mark Webber ganhar o campeonato, por estar mais velho, por ser supostamente sua última chance, dentre outros argumentos. É uma torcida que até faz sentido, mas que esbarra em definitivo diante de 10 pole positions do Vettel, por exemplo. A Red Bull deu uma das maiores lições de esportividade dos últimos tempos, ao não participar deste papo de jogo de equipe, e deixar a competição reinar. Senna já dizia: em automobilismo, ou você entra para ganhar, ou melhor tentar outro esporte. Não faz sentido dedicar-se ao máximo por dez corridas, depois deixar o companheiro de equipe o ultrapassar, pois no momento ele tem mais pontos no campeonato. O Brasil ilustra muito bem isso. Talvez seja historicamente o país que foi mais afetado por esta besteira de aceitar jogo de equipe. Barrichello e Massa, que são dois bons camaradas, bons e ricos seres humanos, deixaram-se levar pelo medo de perderem seus lugares na Ferrari, e aceitaram que Schummy e Alonso continuassem suas sagas de vitórias. Em troca, perderam milhões de pontos de popularidade entre os torcedores brasileiros principalmente, mas do mundo todo também, o que foi o pior. Se você alinhar Piquet, Senna, Schumacher e Alonso em uma fila, verá campeões mundiais,gênios da F1, não é? E se alinhar Prost, Lauda, Massa e Barrichello, pode-se dizer o mesmo? Acho que não...Parece que o Brasil perdeu o bonde da história.Rubens já está encerrando sua carreira, belíssima por sinal,o maior pontuador da história, mesmo sem ter sido campeão mundial. Massa corre o risco de ficar de fora da Ferrari, perdendo seu lugar para Nico Hulkenberg.

Massa é brasileiro. Hulkenberg é alemão. Assim como Vettel, o novo campeão.Assim como Schummy, que aproveitou o desaparecimento de Senna e escreveu seu nome na história. Parece que a Alemanha ocupou o lugar do Brasil no topo do pódio. E sua vizinha, a Áustria, nos trouxe a equipe Red Bull, que decretou o fim (por enquanto) do jogo de equipe na Fórmula 1. Que os pilotos brasileiros aprendam com isso, e voltem a nos dar um banho dominical de alegria, como fazia Aírton. Que o Felipe seja “da massa”. E que a emoção reine, independente da bandeira. Quadriculada ou verde amarela.