sexta-feira, março 30, 2012
A duração de um coração curado
( Fred Neumann)
Se de um lado passam os anos com seus cabelos dourados
Do outro passam pessoas antigas com seus sapatos desamarrados
Se do alto aparecem pássaros famintos com asas abertas
Debaixo passam humanos sem fome com suas mentes fechadas
Se de um ano passam os meses com seus dias desvairados
Do outro mês passam os dias com suas horas alternadas
Se de baixo surgem cheiros de tampas de esgotos amargos
Do alto surgem loucas pessoas quase abandonadas
Ao pintar o mundo com as cores que escolhemos
Não sabemos se merecemos o final do resultado
Não optamos ou decidimos quem amamos
Nem podemos afirmar a duração de um coração curado
O ódio passa para uma visita sem avisar
Com seus rastros escuros de um preto incalculável
Ele passa uma rasteira nos que temem em amar
E termina anunciando uma sentença improvável
O orgulho sentencia sua chegada com pompa e cornetas
Desfilando angaria rostos e roupas que lhe caibam
Do alívio é a parte amarga e do poder as suas tetas
A parte difícil do sucesso e a barreira dos que amam
A duração de um coração curado é composta
Por pequenos intervalos de lucidez de menino
Sem a acidez da incerteza na aposta
E a rouquidão dos que gritam sem destino
quinta-feira, novembro 25, 2010
Poema-texto andando pelas ruas de Araxá
Não há no poema um problema que não possa ser amenizado. Não há na poesia uma heresia que não possa ser aceita e transformada
Imbiarando, fausto-alvimzando, os carros de corrida de brincadeirinha completam os espaços esquecidos dos torcedores de outras épocas. O Ganso sai do seu beco, escondido por alguns meses do ano, alegra a massa, antes e depois dele, vai carrinho, então, preencher com umas muitas pratas por cinco voltas no circuito. As crianças não ganham direito a um passaporte ao passado se a tevê deixa o bumbum assado de tanto se acomodar no sofá. Sai para conhecer Araxá, busca alguns poemas perdidos aí nas ruas. Você é um craque muito antes que lhe ofereçam o crack. Faz a troca, pisoteia a oferta do bandido dando-lhe cento e quarenta e sete poemas. Ele não tem como lhe pagar, vai para o ar e acrescenta um empréstimo e não será o sétimo do dia a perder a luz do dia. Achará ele o ar de Araxá ou não, terá em seu bolso e em sua mão aqueles cento e quarenta e sete poemas. Pode trocar nos ouvidos pro idoso, escutando a aventura que ele murmura de seus anos dourados. Pode comprar um novo curso para sua vida, de enfermagem ou de bobagem, mas um curso com uma meta no final, no meio e no começo. Pode entregar vinte e nove poemas ao seu pai, que não teve como dizer nem um ai, na época em que ele era crackque, com todas estas consoantes no meio como pedras no caminho da gramática. A vida não é tão dramática quanto o cinza testemunhado parado na parede sem verde da mansão antes bonita de dentro de um esvoaçante. Pode parar perto dali, e tomar um açaí por quarenta e um poemas, mais algumas notas do emprego que ganhou direito, depois de ficar rico em poemas.
O milionário excrackqueado aplicou seus poemas na construção de uma boa vista do seu futuro, sempre andando, a pé sem carros. Ficou rico em turistas amigos recentemente conquistados. Com os juros de seus poemas, aplicou na bolsa da mãe muitas cartinhas, com declarações de amor. Deixou o horror de lado, votou certo na outra eleição e, pra terminar, mostrou por oito poemas cada, músicas do Milton Nascimento para seus amigos ainda crackquveados. Fez sua parte, encheu Araxá de lirismo, deixou pra lá o egoísmo e viveu pra sempre com sua alma gêmea. Sem algemas.
terça-feira, fevereiro 17, 2009
A Crise
Lá na crise todos falam de sua casa
Todo mundo vira os olhos para Obama
Mas Obama não se esquece do Osama
Desemprego vai correndo mundo afora
E lá fora ninguém vai pedir arrego
Bomba juros, mas ninguém sabe da bomba
Lá no banco, todas contas só em branco
Se o mundo aumenta a temperatura
Nessa altura dos eventos, tudo imundo
É preciso limpar mais sem detergente
Se o Chefe ter discurso mais conciso
Sai da crise, volta a crise, tá na crise
Tira um s e começa a criar muito
Suburbano vai pra Espanha e na lama
Vão os vips que antes sabiam tudo
O que faço, vou correr ou viro estátua?
Caço o almoço e depois esquento a janta
Bom, já sei, vou gastar se tem no bolso
Se sobrar, vai pra poupança, viu, seu moço!
quarta-feira, agosto 27, 2008
Olímpica
A mídia toda divulga
E na hora da medalha, o que conta
Corremos atrás das pulgas
Canoagem, ciclismo, tênis de mesa
Precisamos de mais proezas
quarta-feira, abril 09, 2008
A escola da vida
Calculadora
Com a meta traçada
Caneta
A pé ou a cavalo
Régua
Chegará ao ápice, ao topo
Lápis
De um jeito moderno ou antigo
Caderno
Se muda o que acha
Borracha
A escola da vida
Tem tudo isso
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Fidel ou créu
Quem mais chamou a atenção no Brasil
Um ainda não foi para lá
Nem sei se vai
Existe céu e inferno?
Ou só verão e inverno?
O outro anima as torcidas de cá
Um dança com semana de antecedência
Pura inocência
Ganhou em troca inimiga truculência
Dançou o créu
Ficou sem a final
E qual será o futuro de Cuba
Afinal
A dança do créu ou o sonho de Fidel?
Carros velhinhos ou novas moedas?
Tudo pelo social, ou economia global
Fidel ou créu
Alguém vai dançar
domingo, fevereiro 10, 2008
Obama bama
Oh, bama, oh, new yo
Let us see the light
with no colors
The power of the new
will get to you
Barack Obama bama
Oh, bama, oh, new yo
Live up to expectations
Re-unite all nations
The way for us to see
the same for you or me
Barack Obama bama
Oh, bama, oh, new yo
Give us a new show
The world deserves it
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
A lavagem cerebral
resolveu aproveitar o dia ensolarado
pra fazer lavagem cerebral
Pegou cada neurônio
Lavou por baixo
por cima
Não deixou nada pra pistas
Nada do que acha
Fica acima
do que o jato de água
nos dendritos proporciona
Zeca lava por completo
Passa o paninho
Deixa brilhando
um cérebro insinuante
De tanto lavar
ficou conflitante
Se pensa em ouro é atacado
Se chora, muda o canal
A lavagem cerebral
encerrou o Domingo
e acabou com a poesia
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Começa promessa
da semana
Então o ano acaba
quando a semana começa
Será por isso
que o tempo tem pressa?
Pode ser uma mensagem
Não deixar para o final
Quando o início está aí
Livre, fresco e novo
Pronto pra aceitar
qualquer promessa
Que não se afogue nos fogos
Ou se queime nas ondas
da empolgação
ação
é
O ano acaba
quando a semana começa
A promessa...
terça-feira, dezembro 04, 2007
Sonho
Já não sei se tô escrevendo
Ou se isso é um sonho
Vai passando, vou caindo
Vai soltando aquela baba
O teclado reclamando
pouco uso, muito sono
Tô com sono
Tô em mono
não em stereo
Não me escuto
Não sou surdo
Tô com sono
Tô dormindo
Esse é o texto lá no sonho
Alguém fez a maquininha
De passar ele pra cá
Dormi
quinta-feira, novembro 22, 2007
Poema da má governança
Charutos venezuelanos queimam, soltando um gás boliviano
Deputada arregaça os dedos na face do apresentador
Dor
Ano em que o mundo parou para ouvir o rei espanhol
Contra o candidato a ditador do mal
Por que não te calas?
Por que não te somes?
As leis são mais simples
Da natureza, do que se reza
A pressa de apagar o ímpeto poluente
Da cabeça de um nada vezes nada
Por que não te apagas?
Por que não te calas?
Patrulha, petróleo, paróquia
Rezemos para as dondocas damas
Em forma de machos nada homens
Das causas nada coletivas
Façam furtivas
E encontrem-se no reino do invisível
A passagem é de graça
domingo, novembro 04, 2007
Água
Pingo, gota, suadeira, lava
Sede, copo, geladeira, enxagua
Dois agás e oxigênio, fórmula
Lago, rio, oceano, mata
Suco, chá, café com leite, nata
Temporal, seca, deserto, chata
De babar, chorar, suar, no corpo
Curvas, rios, na calçada, torto
Plataforma, tese, sonho, em falta
Dois terços do planeta Terra
Água
quarta-feira, outubro 10, 2007
Todos querem menos violência

Antes do poema começar, uma sugestão: Huck, Ferréz, por favor, né, sentem-se num canto sem holofotes, combinem uma forma de aí sim irem pros holofotes e dizerem: o que queremos é menos violência. Agora pode começar poema...
De banho tomado, sapatos brilhantes
De roupa rasgada, dentes enojantes
Com atos pensados, frases ferinas
Com calma na vida, missões pequeninas
Todos querem menos violência
No governo, na casa, no banco, na vida
Na cela, na paz, na veia ferida
Pela família, pela empresa, pelo ego doído
Pelo pobre, pelo rico, pela calma no ouvido
Todos querem menos violência
Seja Ferréz, seja Huck, seja rabino ou “ correria “
Seja pessoa-estatística ou astro-enfermaria
Via jornal, via TV, via fofoca ou via fato
Via tudo, não sabia, via pré-assassinato
Todos querem menos violência
Astro do povo, astro da esquerda, astro dos revoltados
Todos querem menos assaltados
Não importa classe social, ou língua ferinamente desigual
Todos querem menos mal
O que vale é a intenção, não o momento em que foi feita
Antes do confronto de colunas, relações mais estreitas
Antes das armas, a educação, a clemência
Todos querem menos violência
quinta-feira, setembro 27, 2007
quinta-feira, setembro 20, 2007
Videogames e raves
Raves durante a noite
Ou o contrário
Só não se sabe o horário
De soltar o parafuso
De prender a atenção
De comer um mini-lanche
De sorrir em avalanche
Videogames têm heróis
Raves heroínas
Coloridas em neon
Sem som, um só não é
Picolés a M&M´s
Snacks e energéticos
Dos acesos ao céticos
O tempo não passa
domingo, julho 29, 2007
Pensando no esfomeado
O orgulhoso suicida pulando do alto de seu ego
O sujo acaba no nada de um canto sem encanto
O banho é necessário pois lava a alma sem sermão
O resultado da sociedade está no canto dos olhos
Não desperdice o sanduíche de sua lanchonete
Há uma boca o querendo
quinta-feira, julho 12, 2007
A beleza não tem cor definida
Branco, preto, amarelo
Elo não desmancha
Mancha se não mistura
Dura se não desmancha
Profundas as cores do mundo
A fundo as cores dos cantos
Encantos das vozes serenas
Amenas as caras contentes
Dos seres nada ausentes
Índios, Pardos, Latinos
Devem sumir os assassinos
Dos que habitam os bancos de praças
Raças todas misturadas
Futuro mais bonito
Infinito
A beleza não tem cor definida
domingo, junho 10, 2007
A égua
A égua não está no ar
A égua não está no lago
A água sumiu
Todos querem a égua
Todos pedem por égua
Todos pagam por égua
Lodos * no lugar da água
A égua está de anágua
A égua está em Nicarágua ?
A égua guarda mágoa
Se não lhes dão a água
Quem valerá mais
A égua falastrona
ou a água sumidona?
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* E não é que Lodo´s é o nome de um bar no Colorado?
quarta-feira, junho 06, 2007
Urbanando
Sabotado
Desbotado o homem sem bota
Descalço
Na calçada vi mendigos
Umbigos sujos
Sem abrigos
Buracos no meio
Barracos
Dos fracos, dos fortes
Sem sorte
Sem laços
quinta-feira, maio 31, 2007
Poema de 2 minutos
O que sai da caixola neste período
dedos teclando em fúria
Sincronizados com neurônios, nem tanto
Passaram-se 40 segundos
Não mudei o mundo
Teclar para diminuir o efeito estufa
Chegou uma amiga
Ela perdeu o cheque
Achamos a tempo
Mas acabou o tempo
Agora
