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sexta-feira, novembro 28, 2014

Conhecendo Jodorowsky, despedindo-me de Bolaños

" Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é uma doença." (Alejandro Jodorowsky)
Eu acabei de descobrir esta frase lá na capa do Face da querida comadre +Ana Paula Passos
Fiquei fascinado com a mensagem, pois nunca aceitei o prazer de alguém vendo um passarinho preso na gaiola. Pq a mensagem é perfeita: só quem não voa acha que viajar é ruim e acaba perdendo um dos grandes prazeres da vida. Se você não tem gaiolas, viaje, agora! Nem que seja para a cidade mais bonita mais perto de sua cidade! Vai!
Fiquei impressionado com a sacada poética deste +Alejandro Jodorowsky  que não conhecia e olha lá: para minha surpresa mais de um milhão e trezentas mil pessoas já eram fãs dele.
Como pode né? Este mundo não nos apresenta automaticamente pessoas assim logo que nascemos? Olha aqui, Fred, este é o Alejandro Jodorowsky, escute o cara.
Ok, demorou, por isso, obrigado Paulinha por apresentá-lo.
É mais um ser abençoado das terras chilenas do Pablo Neruda e de tantos amigos queridos ( e vinhos ) chilenos.
(pausa para dizer algo a um amigo meu)
+Claudio Kalim hoje o atacante mordedor Suárez, mas verifique se a velhice não lhe reserva a suave aparência deste craque da criação? Até o sorriso bondoso é o mesmo :<))

(continuando...)
Aos dez anos ele já trabalhava como palhaço, saindo de Iquique para Santiago.
Aos quatorze foi para Paris.
Aos trinta e três, não virou Cristo mas criou um grupo multimídia.
Aos quarenta e um, já cineasta, virou ídolo "só" do Jonh Lennon. ( como é bom ter ídolos, permita-se!).
Aos cinquenta, começa a escrever histórias em quadrinhos!
Hoje tem quatro filhos, oitenta e cinco anos e uma pintora como esposa.
E eu, aos quarenta, preciso urgentemente ler sua biografia!
Bravo!


ÚLTIMA FORMA: ao publicar esta mensagem, descobri que +Roberto Gomez Bolaños  , o eterno Chaves, criou asas. Para um último vôo. Obrigado, amigo de todos.
ÚLTIMA FORMA 2: acabei de descobrir que Jodorowsky e Bolaños nasceram em 1929. São estas coincidências que nos maravilham a vida.

quarta-feira, junho 27, 2012

A conversa entre a mãe chinesa executiva e a mãe brasileira pescadora


Há muito tempo escutei pela primeira vez uma história, que acabei repetindo durante toda minha vida, pela grandeza de valores que ela passa. Vou contá-la aqui em uma roupagem nova, refletindo sobre uma reportagem que vi na televisão.
Zin Li, uma chinesa, mãe de dois filhos, executiva de uma grande multinacional, veio passar uma temporada de trabalho em São Paulo.  Não foi uma missão fácil para ela, pois apesar de trabalhar para esta multinacional, passa mais tempo em Beijing, quando consegue reger uma escala de tarefas, esportes, aulas de música e outros deveres para seus dois filhos. Um menino de 8 anos e uma menina de 6. Na agenda diária deles não existem momentos de ócio. E para dormirem, é preciso que todas as missões tenham sido cumpridas. Caso contrário, uma noite de pouco sono vem pela frente. Como punição mesmo.
Em São Paulo, Zin Li participa de reuniões intermináveis, envolvendo decisões estratégicas para sua empresa. Lida com executivos homens latinos e machistas, que acrescentam uma camada a mais de dificuldade para sua rotina. Depois de cinco dias intensos, Antônio Fino, seu colega presidente da subsidiária brasileira reconhece todo o esforço dela e a convida para um fim-de-semana em seu sítio, junto de toda sua família.
O sítio fica na cidade de Amparo-SP e costuma reunir muitos familiares do Fino. E foi ao chegar lá que a mãe chinesa executiva foi apresentada à esposa de seu colega de trabalho, a sra. Fino. Ou melhor, Claudia.
A curiosidade mútua brotou rapidamente entre elas, o que as levou depois do almoço farto de Sábado à beira do rio. Elas praticariam o passatempo favorito de Cláudia: a pescaria.
Para a correria intensa de Zin Li, algo muito novo. Ela buscou em suas memórias mais recentes, depois nas mais antigas, e não se lembrou sequer de um lago ideal para pescaria em Beijing ou redondezas. Algo novo mesmo, muito novo. Com isso, logo começou uma conversa que afetou as duas para sempre:

-       Claudia, você costuma pescar com frequência?
-       É meu passatempo preferido, Zin Li. E as crianças curtem, pois descansam de mim por um dia, fazendo uma farra danada na chácara com os primos.
-       Mas Claudia, você deixa as crianças soltas por um dia todo, só brincando? Sem nenhuma tarefa ou missão a fazer?
-       Claro, Zin Li, pois qual seria o objetivo de ficar aqui na chácara e fazer mais tarefas?
-       Claudia, lá em Beijing, nosso ritmo é intenso. 7 dias por semana e todos eles recheados de tarefas e atividades. Não aceito o descanso.
-       Sei. Me diga, Zin Li, qual é o objetivo disso tudo?
-       Ah, Claudia, não abro mão. Meus filhos precisar estar no topo do que fizerem.
-       Sei, e estar no topo é o principal objetivo?
-       Sim, Claudia. Quero que eles sejam os melhores em tudo. Que escolham a melhor faculdade do mundo, sejam disputados avidamente pelas empresas.
-       Sei, Zin Li, continue por favor, depois disso, quais seriam os próximos passos na vida deles?
-       Bom, Claudia, eles conseguiriam conquistar tudo: uma casa enorme, carros de sua preferência, sem privações. Teriam uma boa esposa e filhos.

Depois de um dia encantador, as costas de Zin Li pareciam acusar: uma sensação de leveza praticamente inexistente em sua vida. Não entendia isso.
Com esse cenário, sentindo repentinamente uma alegria pela descoberta do prazer em pescar, as novas amigas continuaram o papo durante o jantar:

-       E quando as crianças tivessem nossa idade, Zin Li?
-       Cláudia, vou confessar a você, tô mudando meus conceitos assim tão rapidamente... este dia me fez pensar em muitas coisas.
-       Ó, Zin Li, foi um prazer conhecer sua cultura também. Percebi que eu deixo meus filhos muito soltos durante a semana. E pra você, como resume nossas conversas?
-       Cláudia, eu percebi que a pescaria é o ponto de culminância que eu esperava para a minha vida, e para a vida deles. O prazer de viver o momento. Mesmo planejando o futuro. O que eu esperava que acontecesse a eles daqui a 40 ou 50 anos, vi que pode ser aproveitado agora. Perdi muito tempo. As crianças não cresceriam felizes. Mesmo com elas em Beijing, posso até visualizar o rostinho exausto delas. Isso me deixou em frangalhos. Mas vou reverter isso.
-       Poxa, Zin Li, isso me comoveu. De meu lado, percebi que as culturas podem sempre se completar. Nunca haverá uma cultura melhor que a outra, um povo mais dominante que o outro. O prazer em viver supera tudo. Não existe nada mais importante. Se eu não visse a forma como você leva a sério a educação de seus filhos, talvez criaria dois despreparados para o mundo. Nunca esquecerei desse fim-de-semana. Obrigado pela convivência!

Um abraço forte selou o dia. Caminharam depois de um bom prato de sobremesa, alguns vinhos e um expresso no final. Cláudia e Zin Li viveram o primeiro dia de uma amizade que cresceria a cada ano. Mas nas próximas vezes, Zin Li traria os filhos para a chácara. Sem se preocupar com eles. Pelo menos por um dia. E muito mais perto de seus corações. Ela entendeu que é isso que vale no final.

sexta-feira, março 18, 2011

As escolhas

Quero parecer hoje um escritor de auto-ajuda. Quero escrever sobre o simples.Quero ser Paulo Coelho ou o Pai Rico. Criar, inventar, inovar, tudo isso requer muito talento e dedicação. Mas escrever sobre os temas mais comuns da vida pode se tornar uma armadilha móvel, caso não retiremos da cabeça aquela pretensão toda da imortalidade. Pensando nesta última palavra, a imortalidade, resolvi escrever sobre o tema de hoje. Sobre as escolhas. Um tema que vinha crescendo em minhas caminhadas diárias e que agora precisou ser colocado aqui.

Vamos desde o primeiro momento de nossas vidas. Ele só aconteceu porque nossas mães não optaram pelo aborto. Aqui estamos. Na infância, podemos nos tornar seres cruéis com nossos irmãos, aplicando golpes baixos nas partes reprodutoras deles por anos a fio. E a culpa só finalizar quando nascer o primeiro sobrinho. Mais para frente, a escolha entre o último carrinho (que antigamente era da MatchBox, e agora pode até ser dela mas geralmente é da Hot Wheels) e a primeira namorada tende a chegar entre os treze e quinze anos, mas pode ser antes ou depois. Uma questão de escolha, ou timidez. Ou várias outras opções, mas para isso eu teria que escrever um texto enveredando para a psicologia, que não é a minha área.

Uma conversa comum no Brasil é a de que um mendigo-pedinte não tem escolha. Será que não mesmo? Será que nunca passou na vida dele uma alma sequer, para sugerir um outro caminho? Para quem puxa conversa com os “profissionais” do setor de guarda de vagas de estacionamento na rua, mais uma limpadinha no vidro, é muito raro que uma sugestão destas de mudar o mundo consiga mudar a cabeça dele. Não são poucos os relatos de “profissionais” deste ramo que chegam a ganhar um salário mínimo por mês, até dois ou três, com a atividade. Melhor que roubar, dizem eles. Se é que a cobrança agressiva para um ser mais desprotegido já não seja caracterizada por roubo...

O amor por uma profissão precisa sempre passar pelo tema das escolhas. Um escritor, músico ou pintor, jamais chegará á imortalidade de sua obra, se objetivar apenas isto. Sem o prazer de pintar, escrever ou compor, não conseguirá chegar a lugar nenhum. E que lugar é este? John Lennon e um músico que tenha falecido após tocar quarenta anos em barzinhos, ambos jazem debaixo da terra. O segredo da escolha não é compor maravilhosamente bem, para que as pessoas lembrem de você depois de sua morte.Pode até ser para alguns.A escolha pode ser pela qualidade de vida, ou por fazer o que gosta. Mas pode passar também por ser profissionalmente perfeito. O segredo da escolha é...tá aí, se eu soubesse, não precisava mais fazer escolhas.

Algumas pessoas escolhem afastar de perto outras pessoas que ainda poderiam compartilhar amor com elas por muitos anos. Mas a vida pode ter dado a elas um teor maior de grosseria ou orgulho, e elas simplesmente não conseguirem escolher o caminho do perdão. Outras pessoas perdoam até bandidos.São as escolhas, que estão por toda a parte,em todos os lugares, em todos dias, anos e séculos de nossas histórias.Para Muamar Kadafi, que recebeu tanto do poder, por tantas décadas, bem que poderia surgir entre seus neurônios a escolha de poupar vidas de cidadãos que por tanto tempo toleraram-no, ou até apoiaram-no á frente da Líbia.Para os encarregados pela educação universitária de Araxá, bem que poderia surgir a escolha de escancarar todas as portas de seu comando, para qualquer investigação. Parece que isto está sendo feito. Pelo menos para quem está de longe, como é o meu caso.

Vou continuar acompanhando. Ao som das palavras de um programa matinal de rádio, feito pelo governo do Estado, que escuto todos os dias ao levar os filhos na escola.Este programa, mesmo sendo da rádio do Estado, cutuca nas próprias feridas, diariamente. Todos ganham com isso. Araxá poderia copiar mais este modelo.

domingo, novembro 29, 2009

O mundo crescente do Facebook-2


Eu diria que é praticamente impossível acreditar que possamos planejar uma coluna inteira sobre o Facebook com uma semana de antecedência. Pois se eu esperava escrever sobre determinados assuntos de Facebook na semana anterior, eles já mudaram razoavelmente no transcorrer desta semana. Nesta última quarta-feira, o Facebook surpreendeu mais uma vez, ao possibilitar a seus usuários importarem seus amigos do Orkut para o Facebook.. E se na semana passada a contagem de usuários do Facebook no Brasil estava em 1 milhão, agora ela já se encontra em 1,3 milhão. Ou seja, cresceu 1/3 de seu tamanho total no Brasil em uma semana. É realmente uma rede social que veio para surpreender este mercado, no Brasil também. Para comprovar ainda mais tal sucesso, o cantor Justin Timberlake, um fenômeno de popularidade mundial, será uma das estrelas de um filme de Hollywood sobre o Facebook, que começará a ser rodado este mês.
Mas não vamos fugir ao assunto desta segunda e última parte das colunas introdutórias sobre Facebook. Vamos falar de redes de amizades, de clientes e de participantes de jogos online. É este triunvirato que acredito ser o grande segredo do Facebook. E para que este grande segredo funcione, vai aí o outro grande segredo: a aceitação universal de aplicativos sendo rodados no Facebook para os mais diversos usos.
Falamos primeiro das redes de amigos. O Facebook optou inicialmente por uma estratégia que determinou seu grande sucesso atual: juntar colegas de sala de todas as turmas pelas quais se passou durante a vida. Assim, ao preencher as turmas de sua vida, aos poucos você encontrava com colegas que há muito não via. Isso gerou, e gera, muita simpatia pelo Facebook, uma sensação de agradecimento por ter conseguido reunir tanta gente importante da própria vida. Eu, por exemplo, só consegui achar colegas que há muito não via devido ao sucesso desta ferramenta do Facebook.
E assim vai. Você pode optar por compartilhar mais ou menos privacidade no Facebook, com sua rede de amigos.Mas só de poder optar por isso já é um avanço.
Para empresas, o Facebook tem se revelado altamente valioso. Altamente e literalmente, afinal uma polêmica empresa australiana, chamada USocial, teve a audácia de vender amigos do Facebook, por preços que variam de 124 euros a até 818 euros, num total de 10.000 amigos. Se a pessoa vai aprovar ou não o pedido de amizade já passa a ser um problema exclusivo de quem contratou o serviço...
Polêmicas de lado, empresas gigantes como a Coca-Cola têm usado diariamente o Facebook para uma série de ações. No momento em que escrevo esta coluna, completavam-se duas horas da última ação da Coca-Cola. Em uma mensagem para seus 3.723.000 fãs do Facebook, ela pediu que enviassem, por vídeo, mímicas do som produzido depois de beber o negro líquido. Neste intervalo, 1466 pessoas expressaram ter curtido a ação e outras 223 já haviam comentado. Vale dizer que os comentários são de todos os tipos: positivos, negativos, inflamados ou apaixonados. É aí que uma empresa ganha ao usar o Facebook: estendendo seus laços com o cliente, aceitando todo tipo de retorno dele, não somente os positivos, como se fosse um mundo perfeito (ah, estatística de última hora: nos 16 minutos que levei para escrever a coluna até aqui, a Coca-Cola já conseguiu 24 novos fãs).
Concluindo a coluna de hoje, o Facebook parece ter nascido para hospedar joguinhos altamente viciantes. Uma das empresas que surfou nesta popularidade, a Zynga, declarou ter faturado 100 milhões de dólares só no ano passado. São jogos desde os mais clássicos, como o poker, até ideias mais novas, como gerenciar uma gang de mafiosos tomando o mundo, ou cuidar de uma plantação de milho em uma ilha deserta. Cada um de seus amigos que também gostem do mesmo joguinho que você faz parte automaticamente de seu ranking, o que gera assunto para muito tempo.
Termino aqui esta série de quatro colunas sobre o crescente mundo das redes sociais. Se você tinha preconceito por causa do Orkut, esqueça. Tire os rótulos da cabeça e mergulhe de vez, para não ficar para trás. A Internet e sua evolução permanente transformaram o que era apenas um passatempo fofoqueiro em um local bem mais enriquecedor. Como sempre, tomando-se os devidos cuidados.

*publicado originalmente no Jornal Interação,de Araxá-MG

quinta-feira, setembro 25, 2008

Amauri

A seleção italiana está de olho no brasileiro Amauri, que brilha agora na Juventus.
O Dunga acaba de convocar a Seleção Brasileira para os dois próximos jogos das Eliminatórias, e não convocou Amauri.
Eu teria o convocado.
Por precaução.
Não quero ver o Brasil levando gol de Amauri na Copa de 2010.
Pelo menos um brasileiro a menos para levarmos gol, já que existem pessoas em pânico por imaginarem uma Copa só com brasileiros, tamanha é a debandada.