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sexta-feira, março 18, 2011

As escolhas

Quero parecer hoje um escritor de auto-ajuda. Quero escrever sobre o simples.Quero ser Paulo Coelho ou o Pai Rico. Criar, inventar, inovar, tudo isso requer muito talento e dedicação. Mas escrever sobre os temas mais comuns da vida pode se tornar uma armadilha móvel, caso não retiremos da cabeça aquela pretensão toda da imortalidade. Pensando nesta última palavra, a imortalidade, resolvi escrever sobre o tema de hoje. Sobre as escolhas. Um tema que vinha crescendo em minhas caminhadas diárias e que agora precisou ser colocado aqui.

Vamos desde o primeiro momento de nossas vidas. Ele só aconteceu porque nossas mães não optaram pelo aborto. Aqui estamos. Na infância, podemos nos tornar seres cruéis com nossos irmãos, aplicando golpes baixos nas partes reprodutoras deles por anos a fio. E a culpa só finalizar quando nascer o primeiro sobrinho. Mais para frente, a escolha entre o último carrinho (que antigamente era da MatchBox, e agora pode até ser dela mas geralmente é da Hot Wheels) e a primeira namorada tende a chegar entre os treze e quinze anos, mas pode ser antes ou depois. Uma questão de escolha, ou timidez. Ou várias outras opções, mas para isso eu teria que escrever um texto enveredando para a psicologia, que não é a minha área.

Uma conversa comum no Brasil é a de que um mendigo-pedinte não tem escolha. Será que não mesmo? Será que nunca passou na vida dele uma alma sequer, para sugerir um outro caminho? Para quem puxa conversa com os “profissionais” do setor de guarda de vagas de estacionamento na rua, mais uma limpadinha no vidro, é muito raro que uma sugestão destas de mudar o mundo consiga mudar a cabeça dele. Não são poucos os relatos de “profissionais” deste ramo que chegam a ganhar um salário mínimo por mês, até dois ou três, com a atividade. Melhor que roubar, dizem eles. Se é que a cobrança agressiva para um ser mais desprotegido já não seja caracterizada por roubo...

O amor por uma profissão precisa sempre passar pelo tema das escolhas. Um escritor, músico ou pintor, jamais chegará á imortalidade de sua obra, se objetivar apenas isto. Sem o prazer de pintar, escrever ou compor, não conseguirá chegar a lugar nenhum. E que lugar é este? John Lennon e um músico que tenha falecido após tocar quarenta anos em barzinhos, ambos jazem debaixo da terra. O segredo da escolha não é compor maravilhosamente bem, para que as pessoas lembrem de você depois de sua morte.Pode até ser para alguns.A escolha pode ser pela qualidade de vida, ou por fazer o que gosta. Mas pode passar também por ser profissionalmente perfeito. O segredo da escolha é...tá aí, se eu soubesse, não precisava mais fazer escolhas.

Algumas pessoas escolhem afastar de perto outras pessoas que ainda poderiam compartilhar amor com elas por muitos anos. Mas a vida pode ter dado a elas um teor maior de grosseria ou orgulho, e elas simplesmente não conseguirem escolher o caminho do perdão. Outras pessoas perdoam até bandidos.São as escolhas, que estão por toda a parte,em todos os lugares, em todos dias, anos e séculos de nossas histórias.Para Muamar Kadafi, que recebeu tanto do poder, por tantas décadas, bem que poderia surgir entre seus neurônios a escolha de poupar vidas de cidadãos que por tanto tempo toleraram-no, ou até apoiaram-no á frente da Líbia.Para os encarregados pela educação universitária de Araxá, bem que poderia surgir a escolha de escancarar todas as portas de seu comando, para qualquer investigação. Parece que isto está sendo feito. Pelo menos para quem está de longe, como é o meu caso.

Vou continuar acompanhando. Ao som das palavras de um programa matinal de rádio, feito pelo governo do Estado, que escuto todos os dias ao levar os filhos na escola.Este programa, mesmo sendo da rádio do Estado, cutuca nas próprias feridas, diariamente. Todos ganham com isso. Araxá poderia copiar mais este modelo.

sábado, maio 01, 2010

Como você encara


Enquanto uma pessoa comemora a conquista de seus primeiros 500 mil reais em patrimônio, talvez no mesmo bairro achamos outro se retorcendo de raiva porque perdeu 500 mil reais de seus oito milhões, de patrimônio. Por outro lado, podemos achar uma pessoa que também acabou de conquistar seus primeiros 500 mil reais em patrimônio, mas sentindo-se o último dos mortais porque conseguiu amealhar esta quantia em vinte anos, e não em cinco, como esperava. E, no mesmo bairro, uma outra pessoa extremamente feliz por ter perdido apenas 500 mil reais de sua fortuna de oito milhões, após uma terrível crise que assolou a cidade.
Muitas destas (es)histórias chegam até nós via e-mail ou por um bate-papo descontraído com os amigos. Não sabemos de onde vieram ou quem as escreveu. Pois não é raro acontecer de um texto ser atribuído erroneamente a um Luis Fernando Veríssimo ou a um Paulo Coelho. Uma delas eu escuto sempre e acho fascinante. É a estória de um vendedor que chegou em Angola ( mudei o nome do país) com uma missão de sua empresa: descobrir se existia um aumento de mercado potencial para o tênis que sua empresa fabricava. Depois de duas semanas de olhar atento, o vendedor ligou para a empresa pedindo que cancelassem a missão, já que todo mundo andava descalço. A empresa o trouxe de volta, mas, por via das dúvidas, mandou um novo vendedor para a mesma missão. Passado apenas um dia, o novo vendedor não titubeou: ligou para a empresa pedindo que quadruplicasse o envio de tênis para o país, já que todo mundo andava descalço.
O que determina a sua sorte no mundo é o modo como você o encara. E, por falar em sorte, recomendo muitíssimo aos interessados neste assunto o livro “A Boa Sorte”, de Alex Rovira Selma e Fernando Trias de Bes. Acredito que este livro ilustra muito bem a questão do modo de como encaramos o mundo. Outro dia, um amigo meu deparou-se com sua primeira reunião de negócios, na cidade onde mora. Para ele, era sua primeira reunião. Mas ele sabia que existiam outras pessoas na equipe com bem mais tempo de trabalho que ele. Depois de uma, duas horas de espera, chegou à conclusão de que só ele apareceria na reunião. Pois em vez de se preocupar em demais e passar noites sem dormir, ele saiu do local com uma alegria imensa e com uma vontade enorme de se dedicar ao negócio. Ele encarou da seguinte forma: se eu acredito na empresa, se eu acredito nos produtos, e meus possíveis concorrentes estão meio nocauteados, tenho todo um enorme mercado me esperando. Vou redobrar meu esforço.
Algumas pessoas encaram o dia do seu aniversário como o pior dia do ano, por lembrarem que estão mais velhas. Outras pessoas encaram o aniversário como uma constatação de que conseguiram a maravilhosa dádiva de mais um ano de vida. Não desejo aqui dizer quem está certo. Não vou dizer qual eu acho positivo ou negativo. Mas quero fechar a coluna desta semana com um lembrete, tanto para mim quanto para quem ler estas palavras: sempre, ao se deparar com um pensamento, com um fato em sua vida, procure avaliar todos os lados possíveis da situação. A forma como encararmos o acontecido determinará sempre o nível de qualidade de vida que teremos. A qualidade de vida, o nível de alegria, a quantidade de amigos verdadeiros, a compreensão da família, o sucesso nos negócios...

*Desenho incrível do Alex Magno