Para ler o capítulo 12, clique aqui.
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
No fundo da Lagoa do Barreiro- Capítulo 13
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quinta-feira, dezembro 06, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-12
A mídia araxaense passou a acompanhar com muita atenção os passos de Elvinho Camaleão. Um detetive particular, hospedado nos gramados do Barreiro, em uma barraca, por dias a fio, e ainda por cima começando a ter pistas novas, geralmente não passa em branco.
O nono dia desde o desaparecimento de Olavo da parte superior da terra foi marcado pelas descobertas de Elvinho. O sagaz detetive passou dez horas seguidas mergulhando na Lagoa do Barreiro, depois de ter ouvido um estrondo na lagoa na noite anterior.
Sua persistência acabou se concretizando na pista mais concreta até agora: ao tentar retirar lama do fundo da lagoa, Elvinho deparou-se com um jato de água vindo do fundo. Como nunca tinha visto aquilo, continuou retirando lama das partes próximas ao jato. Porém, descobriu que o jato só vinha daquele local. Começou a ficar atento ao “ fenômeno natural” para ver se ele poderia ter alguma ligação com o sumiço de Olavo. Duas horas depois do aparecimento do jato, o volume de água começou a diminuir, até parar definitivamente com mais trinta minutos. O resultado disso para a Lagoa do Barreiro foi de assustar: a lagoa atingiu seu maior nível desde 1928, tendo abocanhado para seu interior quatro toalhas de piquenique, dez varas de pesca semiprofissionais e uma com molinete.
Do outro lado, sem ainda fazer parte das mais intensas imaginações de Elvinho Camaleão, Ana Jacinta passou as mesmas duas horas e trinta minutos corrigindo um defeito no sistema de isolamento da mansão. Convocou trinta homens e ainda duas de suas mais atléticas sereias para realizarem um trabalho de emergência, para que o segredo não viesse á tona. Foi colocada no vazamento uma “ pasta dupla de água sulfurosa com doce de figo”, que conseguiu surtir efeito depois de muito esforço de todos.
O mistério do sumiço de Olavo persistia. A mansão do Fundo da Lagoa do Barreiro continuava sendo conhecida por todos que por lá ficavam, e esquecida por todos que de lá voltavam para o mundo de cima.
quarta-feira, novembro 28, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-11
O Grande Corredor conta atualmente com cinquenta fotos de seus clientes mais ilustres. Cada um, obviamente, tornou-se um mantenedor do local, e criou uma pulga gigante atrás das orelhas de herdeiros. Afinal, no recibo emitido consta o seguinte:
“pagamento de manutenção do mito Dona Beja”
Muitos herdeiros já protestaram, tentaram deixar de pagar, mas talvez por milagre, a cada primeiro dia de mês aparece sempre descontada na conta do homenageado, ou do tomador-de-conta-do-espólio-do-dito-cujo, tal quantia referente ao pagamento. Fato este que já começa a ser estudado por estudantes de Administração, Economia, Matemática e Ciências do Desconhecido em diversos lugares do planeta.
O Grande Corredor possui oito Grandes Curvas, estas só não sendo maiores proporcionalmente ás das sereias que habitam a casa. Na temporada de inverno, Ana Jacinta manda colocar um piso especialmente feito pelo Comitê Olímpico Internacional, devido ao fato deste piso ser usado nas competições de Patinação nas Olimpíadas de Inverno. Para poder deslocar normalmente pela mansão, os clientes são recomendados a usarem sapatilhas especiais deslizantes. O clima do Grande Corredor, nestas temporadas, só aumenta o friozinho na barriga de quem adentra a grande Mansão do Fundo da Lagoa do Barreiro.
Ana Jacinta, feliz, capitaliza.
* Para relembrar como foi o capítulo 10, leia aqui
segunda-feira, novembro 19, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-10
Antes de começar o capítulo 10, até para situar quem está pegando a novela pelo meio, relembro os nomes das primeiras nove sereias, e divulgo o nome da décima. Lembrando que elas serão trinta e quatro no total. Vamos lá:
Sereia 1: Elisa
Sereia 2: Agar
Sereia 3 : Maria Helena
Sereia 4: Maria Auxiliadora
Sereia 5:Rúbia
Sereia 6:Clara
Sereia 7:Luna
Sereia 8:Sarah
Sereia 9:Ludmila
Sereia 10: Luciana
Luciana começa seu dia como sempre faz: dando corda aos seus 12 tucucos, cucos em forma de tucanos conseguidos com a ajuda de Ana Jacinta, feitos por um dos clientes da mansão. A sereia número 10 ajeita-os de forma que a cada hora um dos tucucos cante. Cada tucuco canta uma música diferente da cultura musical popular brasileira. Isso faz com que ela não tenha tanta saudade do mundo lá de cima.
Em seu oitavo dia de mansão, quando Olavo chegou para visitá-la, estavam sendo completadas 10 horas da manhã. Um tucuco começou a cantar “ Quem não tem colírio usa óculos escuros..” e como a vovó do Olavo já dizia, “ nunca esqueça de se apresentar para quem você ainda não conhece”.
Feitas as apresentações, Luciana mostrou seu quarto de cem metros quadrados a Olavo. Seus dez anos de mansão haviam elevado seu status com Ana Jacinta e proporcionado a elas diversas ampliações do quarto, situado exatamente acima das primeiras quadras de tênis do hotel. Sim, a Lagoa do Barreiro estende-se aqui nesta novela subterraneamente para outros domínios, e para onde for a imaginação do autor.
Como Luciana demonstrou com o tempo seu fascínio pelos números, o quarto dela é superlativo em tudo. Três camas, quatro banheiros, seis armários, vinte e dois batons, três funcionários para arrumar tudo. Ana Jacinta sempre cultivou esta sua extravagância numerosa, apostando no seu exotismo. Por muitas vezes ela costuma chamar a sereia número 10 de “ Superlutiva”.
Enquanto isso no nível acima da Lagoa, Elvinho Camaleão passou mais de 12 horas sem comer, concentrado em achar novas pistas após achar o copinho de água sulfurosa. Mas desta vez foi em vão. O oitavo dia após o sumiço de Olavo acabou sem novas pistas, mas com a imprensa já começando a povoar a vida do sagaz detetive em busca de entrevistas.
Para relembrar como foi o capítulo 9, clique aqui
domingo, setembro 09, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-9
A sereia número 9 já está na casa dos quarenta anos, apesar de nunca revelar a idade. Mantém sua beleza ruiva com muita lama, banhos de algas da Lagoa e muita atenção á sua vaidade. Ludmila passa esta vaidade ao seu quarto, sempre impecável. Foi assim que Olavo o encontrou quando foi conhecer Ludmila.
Passada uma semana na mansão, Olavo já passou a cultivar alguns hábitos típicos de moradores de fundos de lagoas. Um deles por exemplo é passar um dia inteiro no quarto conversando com uma sereia sem se preocupar com o tempo. Neste dia, Olavo esbaldou-se com os casos vaidosos de Ludmila. Ana Jacinta passou também o dia inteiro no quarto. Olavo já mantinha com a dona da mansão uma relação mais amistosa, passada a raiva do seqüestro-relâmpago-aquático.
Enquanto isso, do lado de fora da Lagoa, o detetive Élvio tornava-se a mais nova estrela das buscas. Travando um serviço particular, ele tornou-se uma peça fundamental nas buscas, motivado pelo prêmio da polícia local de dez mil reais, caso uma pista concreta levasse á solução do caso.
Élvio passou a ser uma figurinha repetida no local. Conseguiu permissão dos arrendadores do hotel para montar uma barraca verde, da cor das árvores, no meio delas. Por essa razão, alguns atletas de esportes de aventuras que passam constantemente pelo local o apelidaram de “ Elvinho Camaleão”, tantas as vezes que sua barraca foi confundida com o verde da atmosfera local.
O mais novo detetive a adentrar no “ Mistério Olavo” tinha conseguido uma pista muito importante, pelo menos segundo ele: um copinho destes de tomar água sulfurosa com as impressões digitais de Olavo. Ao conversar com Cordélia, ela havia confessado ao sagaz detetive que Olavo nunca havia bebido água sulfurosa naquele copinho antes.Pelo menos com ela.
Pelo menos em sua estada acima do nível da Lagoa do Barreiro...
domingo, agosto 12, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-8
Depois de quatro caipirosas no quarto de Dora, Olavo resolveu conhecer o quarto vizinho. Nele estavam as irmãs trigêmeas Clara, Luna e Sarah, as sereias 6,7 e 8. Elas foram descobertas por Ana Jacinta ao realizarem um sonho de criança de nadarem na Lagoa do Barreiro sozinhas depois de uma festa.
No dia, as três horas da manhã relatavam apenas quatro pessoas na Lagoa: as trigêmeas e Ana Jacinta, que surgiu de repente no meio do nado das irmãs. Refeitas do susto, tascou Ana Jacinta:
- Que tal conhecerem minha mansão? Fica a alguns metros de nado. Vou emprestar-lhes uns tucanáticos que tenho, um aparelho que lhes permite 24 horas de autonomia de nado. Mas vocês não precisarão nem de dez minutos.
As trigêmeas, não se sabe se pelo susto de reconhecerem Ana Jacinta ou se tomadas pela onda de surpresas e realizações de sonhos da noite, toparam.
O nado foi rápido e logo elas estavam dentro da Mansão do Fundo da Lagoa do Barreiro, de onde nunca mais saíram. Nem por isso perderam o ar de sonho do dia do encontro com Ana Jacinta. E foi isso que Olavo presenciou ao conhecê-las.
“ Vocês servem caipirosas também, meninas?”, perguntou o mais novo morador da mansão.
“ Não, mas neste quarto aqui você vai poder conhecer um pouco mais do mundo encantado de Ana Jacinta.Venha.” Com esta ordem, as trigêmeas levaram Olavo a um dos caprichos mais interessantes que Ana Jacinta construiu em sua mansão. Ao abrir a porta dos fundos do quarto destas sereias, Olavo e todos os outros freqüentadores encontram de cara uma grande cachoeira, com o nome conhecido por muitos: Cascatinha. Uma cachoeira no meio de um quarto, povoada de luz imitando perfeitamente a natural, cercada de árvores, pedras e lama.
Não se sabe se por isso a Cascatinha do mundo exterior possui hoje tão pouca água. Mas o que não se pode negar é que Clara, Luna e Sarah souberam usar deste belo cenário para manter os sonhos que tinham lá no mundo de fora. Os delas e os dos outros.
segunda-feira, julho 30, 2007
Errata no Interação
Quero avisar pelo blog que o Jornal Interação tem uma errata na edição que saiu nesta sexta-feira, 29-7.
Ele traz o " No fundo da Lagoa do Barreiro-8", mas ao invés de estar na página 2 como de sempre, apareceu na página 2 de Turismo.
Achei importante para os amigos de Araxá dizer isso aqui, pois alguns poderiam achar que a coluna não foi publicada nesta semana.
Lembrando que o capítulo 7 acaba de ser postado por aqui, sempre com uma semana de atraso em relação ao Jornal Interação, que publica semanalmente a novela " No fundo da Lagoa do Barreiro", ao qual agradeço.
um abraço a todos,
Fred
No fundo da Lagoa do Barreiro-7
Rúbia começou a imprimir um nado acelerado. Saiu das dependências da mansão de Ana Jacinta. Passou por trás da antiga casa de hóspedes do lado de fora, deu meia-volta e foi no sentido da Piscina Emanatória. A sereia número 5 retirou a tampa cheia de lodo e continuou subindo. Chegou finalmente na piscina, que era seu passatempo favorito quando precisava espairecer. Porém, desta vez ela testemunhou uma cena intrigante. Estavam reunidas na piscina duas pessoas com uma conversa que chamou sua atenção.
“ Não creio que Olavo possa ser creditado como uma nova Dona Terezinha. Ainda acredito que acharemos seu corpo”, disse uma das pessoas.
“ Não tenho essa mesma expectativa. Já credito o caso Olavo como o segundo dentro de sumiços misteriosos de Araxá. E se você perceber, os dois desapareceram perto da água. Só pode ter uma ligação nisso aí”, disse a outra pessoa.
Rúbia, com estes dados todos penetrando seu ouvido, utilizou-se de seu nado forte novamente, e muito rapidamente voltou para a mansão em nado recorde de quatorze segundos, quebrando seu próprio recorde, já que ela era a única a habitar aquele local escondido.
Ao chegar na mansão, Rúbia relatou tudo que ouviu da conversa entre estas duas pessoas para Ana Jacinta. A dona da mansão e seus neurônios começou a formular um plano de contornar esta crise. Com algumas pílulas de lama para envolvidos no assunto, e o caso estaria um pouco mais abafado. Nada que tiraria da memória araxaense mais um caso de sumiço. Mas no momento, era importante tirar o foco da Lagoa. Ana Jacinta verificou, e Olavo estava no quarto de Dora, tomando mais uma caipirosa. No fundo da Lagoa do Barreiro, tudo na mais perfeita ordem.
sexta-feira, julho 20, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-6
Dora. Com dor no meio do nome. Apesar de sua trajetória de vida exaustiva, Maria Auxiliadora, a sereia número 4, é das mais bem-humoradas da mansão jacintiana. Quando Olavo chegou na porta de seu quarto para conhecê-la, Dora ativou sua surpresa: um jato contínuo de lama, que demorou 30 segundos. Olavo já se preparava para soltar uma expressão não tão educada, quando Dora o convidou para juntar-se a ela em sua jacuzzi de lama, um presente que Ana Jacinta havia mandado fazer para Dora por bons serviços aquáticos prestados. A dona da mansão havia contratado o renomado arquiteto Luca Maestrelli, para tal serviço. Maestrelli habitava o Fundo da Lagoa do Barreiro desde quando decidiu-se pelo final de sua vida. Era a época da construção do Grande Hotel. Maestrelli havia errado na construção da piscina emanatória, ao ajudar seu guru Luís. Por isso mesmo não entrou para os anais da história arquitetônica do hotel. Ao invés de seu pulo na Lagoa ter sido finalizado com uma morte, Ana Jacinta salvou-o, colocando-o em uma casa que ela havia construído em separado, para hóspedes que precisavam de mais privacidade. Idéia que ela abandonou com o tempo, já que sua mansão passou a oferecer muitas possibilidades aos freqüentadores.
Dora, a sereia número 4, habita seu quarto localizado logo abaixo da área de pescaria do Grande Hotel. Um local de muito trânsito, muita lama, onde ela sabe como poucas sereias pescar a atenção das pessoas. Olavo, após o banho de lama, entendeu o espírito brincalhão de Dora, e logo virou “ habituê” do local. Sempre levando a tiracolo sua “caipirosa”, feita de limão, vodka e água sulfurosa, e compartilhando o quarto com muitos outros freqüentadores, atraídos pelo bom-humor da quarta anfitriã.
segunda-feira, julho 16, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-5
A sereia número 3 estava dando uma limpeza geral em seu quarto quando Ana Jacinta chegou com Olavo. Para os leitores do mundo aqui de cima, seu quarto fica situado exatamente debaixo da ponte da “ ilha do amor”, da Lagoa do Barreiro. Talvez por isso seja a sereia de modos mais simples. Maria Helena recebeu Olavo com um sorriso global, destes que abrangem todos os cantos do quarto, e que se possuísse raios-ultravioleta, expandiria mansão afora. Talvez atingindo até alguns peixinhos. Dentro de seu quarto, Maria Helena mostrou a Olavo seu objeto mais precioso: um tapete persa de muitos metros, que percorria todo seu quarto. Diz a sereia que achou este tapete quando assistia a um ex-governador de Minas Gerais, do alto de sua escondida embriaguez, entregar o tapete ás águas da Lagoa do Barreiro, enquanto bradava que não merecia tapete vermelho estendido para sua insignificância. A sereia tratou de recolhê-lo logo, antes que o enorme mamífero ex-governador pensasse duas vezes. Coisas passíveis de se acontecer por uma embriaguez.
Depois de uma rápida prosa, Olavo despediu-se de Maria Helena e foi logo segurando no braço de Ana Jacinta. “ Você vai me apresentar a todas as 34 sereias? Qual é o seu plano final? Transformar-me em Rei do Fundo da Lagoa?”, perguntou ele. Após um silêncio de 10 segundos, pensando charmosamente na resposta, Ana Jacinta devolveu uma resposta fulminante, olhos nos olhos. “ Olavo, eu acompanhei toda sua trajetória em Araxá. Acredite, estive presente em muitos eventos seus. Dentre todos araxaenses, escolhi você para ser meu dono. Pela sua reação, sei que você ainda não absorveu esta minha decisão. Mas eu soube me preparar, tanto psicologicamente quanto tecnologicamente, para te segurar. Eu nunca tive dono. Você, se tudo der certo, será o primeiro. E para isso, preciso lhe apresentar meu mundo”, concluiu Ana Jacinta.
Olavo acelerou seus passos, quase se conformando. Não sabia exatamente como situar sua história a partir desse momento. O quarto da sereia número 4 era o próximo.
quinta-feira, julho 05, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-4
Para acalmar a ira de Olavo, e aliviar um pouco as dores do galo, Ana Jacinta deu-lhe duas pílulas de lama e levou-o ao quarto da sereia número 2. Com sua vasta experiência nas questões masculinas, sabia não existir melhor tranqüilizante.
A sereia número 2 atende pelo nome de Agar. Muito séria e concentrada em seus afazeres, Agar recebeu-o bem, porém sem muito papo. Típico dela. Cabelos curtos, quase castanhos, ar de sereia que sabe onde nada.
O quarto da sereia número 2 fica exatamente abaixo do deck dos pedalinhos. Este fato pode ter contribuído para realçar a seriedade de Agar durante os anos. Crianças gritando e pedalinhos arranhando seu teto foram retirando dela sua alegria pouca.
“ Agar, como você agüenta viver numa casa com 34 mulheres?”, perguntou Olavo. “ Ora, Olavo, pois é o chamariz perfeito para os homens que Ana Jacinta traz para cá, Olavo, O Escolhido”, soltou Agar para o espanto de Olavo, não entendendo esta nova expressão que pulou da boca de Agar sem que ela reparasse.
Para que os homens trazidos por Ana Jacinta não lembrassem de suas visitas á mansão jacintiana, as pílulas de lama funcionavam também. Mas neste caso, ela as colocava dentro de um copo de água sulfurosa da Fonte Andrade Júnior, que ela colhia duas vezes ao mês, lá pelas quatro da manhã. Para o delírio dos amigos de um dos porteiros do Grande Hotel, agraciado por muita sorte, segundo ele, com a visão de Ana Jacinta nas duas vezes mensais que ela apareceu para coletar água sulfurosa. Seus amigos sempre trucaram tal informação, não antes de muita ironia com o porteiro.
Do lado de fora do lago, Cordélia coordenava havia 2 dias uma busca por Olavo.Corpo de Bombeiros, IML, pastores rezando, curiosos. Uma multidão se formava toda manhã, sedenta por notícias. Mal ela sabia que Olavo, começando a se contentar com seu novo mundo aquático, ainda tinha 32 quartos para descobrir.
terça-feira, junho 26, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-3
A mansão sub-aquática de Ana Jacinta conta com 34 quartos. Olavo pôde perceber o constante entra-e-sai de numerosas sereias que habitam o local. Sua curiosidade cada vez mais aguçada, foi perguntar a Ana Jacinta se ela poderia explicar a ele o motivo de tal seqüestro-relâmpago. “ Não será apenas um seqüestro de poucas horas, Olavo. Tome aqui o tucanático. Coloque-o assim no nariz ( ela explicou o procedimento). Você terá que se acostumar a esta sua nova realidade. Dentro de algumas horas voltaremos para o primeiro passeio lá em cima, pra recuperar a autonomia de nado”, disse ela.
Uma das primeiras pessoas que puxaram conversa com Olavo foi Elisa, moradora da mansão há mais de 20 anos. Queria ela saber como Olavo foi parar lá. “ Nunca vi tamanho cuidado com um novo “ chegante” por aqui, moço. A Ana Jacinta parece ter te escolhido a dedo”, revelou Elisa. Olavo ainda com saudades de Cordélia, não sabia se expressava sua nova sensação de surpresa, ou buscava em seu peito as saudades preocupantes com o estado que Cordélia deveria estar “ lá em cima”. Por isso, tentou ele preparar um nado a jato para voltar á beira da Lagoa do Barreiro. Um galo na cabeça após 10 metros da escapada denunciou que esta tentativa talvez não fosse possível. Talvez nunca mais.
quarta-feira, junho 20, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-2
Mariano ainda ficou trinta minutos tentando pescar alguma palavra de Cordélia que fizesse sentido.O choque foi muito grande. Passar de um Domingo amoroso para um sumiço pecaminoso mostrou ser um baque muito forte para Cordélia. E por mais que Mariano olhasse para a Lagoa do Barreiro, não havia outra resposta dada por ela a não ser sua própria face. Só mudava com suas inúmeras caretas de incredulidade....
Enquanto o mundo continuava a se desdobrar em ondas de choque lá no mundo não-aquático, Ana Jacinta pegando um fôlego como há muito não se via e completando com suas braçadas velozes pelos anos de treino, levava Olavo para um de seus esconderijos favoritos: sua pequena mansão sub-aquática feita exatamente abaixo do que chamam lá no Araxá de Fonte Dona Beja. Obviamente que o mundo terrestre jamais imaginou deste refúgio ultra-secreto de Ana Jacinta. Mas para ela, a Fonte Dona Beja era sim um belíssimo local para se divertir, usando de seu tucanático: um aparelho que complementava enormemente seu nariz, e que lhe permitia 24 horas de autonomia de respiração. O tucanático não lhe permitia viver como peixe em tempo integral, por isso Ana Jacinta aproveitava geralmente o horário de 2 da manhã para dar sua respirada no mundo terrestre. O que já foi material de estudo de muita gente, querendo comprovar que Ana Jacinta ainda existia, para um estrondo de risadas de toda sociedade araxaense, até mundial.
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Para ver a primeira parte da estória venha aqui
quinta-feira, junho 14, 2007
No fundo da Lagoa do Barreiro-1
Olavo arrumava novamente a toalha bagunçada do piquenique. Programa dominical favorito dele e da Cordélia, dois namorados românticos que faziam questão de sorver a essência inspiradora da beira da Lagoa do Barreiro.
Depois de devorar uma rosca caseira inteira, Olavo e Cordélia, empanturrados, olharam para o reflexo de suas expressões na Lagoa. Ao invés de receberem de volta suas imagens refletidas, o que viram foi a mão de Ana Jacinta, também conhecida como Dona Beja, puxar Olavo para o fundo da Lagoa.
No desespero do sumiço de seu muso inspirador, Cordélia ainda em choque recuperou um pouco de ar para gritar. Chamou a atenção de Mariano que por lá passava e foi em sua ajuda. Pulou Mariano lá dentro da Lagoa do Barreiro, mas não achou nada. Ana Jacinta já estava longe com Olavo em seus braços.
Encharcado, por estar de roupa ao adentrar a lagoa, Mariano apenas tentou entender o que acontecera, com as mínimas identificações no meio das palavras meio abobalhadas de Cordélia. Ela parecia delirar.
( continua em breve...)