sexta-feira, abril 01, 2011

A dinâmica Internet

A Internet é sem dúvida o meio mais dinâmico do mundo.Estou usando o adjetivo “dinâmico”, mas poderia ser também “concorrido”, “disputado”, “inovador”. Durante a semana, em conversas com amigos no Twitter, citei que o Yahoo continua sendo o quarto site mais visitado do mundo. Poucos acreditaram. De fato é, são mais de 130 milhões de visitantes únicos por mês.Mas sua audiência está em queda. A do Twitter está em alta.Mas quem garante alguma coisa? Se eu viesse nesta coluna aqui há 2 anos, e dissesse que o Facebook tomaria o lugar do Orkut na preferência dos brasileiros, alguém levaria isso a sério? O Orkut continua no topo do ranking de visitação nacional entre as redes sociais (4º. no geral), mas o Facebook acaba de ultrapassar, pela primeira vez no Brasil, metade da audiência do Orkut.

Se o leitor tiver menos de 20 anos, provavelmente não vai se lembrar dos nomes “Netscape”, “Aol” ou “Mandic”. Todos estes foram precursores da Internet. Mandic foi precursor no Brasil. Receberam milhões de investimento e hoje não fazem mais parte do “burburinho”. Twitter, Facebook, Google e Apple não saem das bocas dos antenados.Existe espaço para muitos outros também.O dinamismo não pára. Você já ouviu falar de compras coletivas? Em Araxá, já chegou o N Ofertas. São mais de 1000 sites como este no Brasil, com produtos e serviços a mais de 50% de desconto. Os mais famosos são o Peixe Urbano e Clickon.

Muito site para visitar? Este é apenas um segmento da Internet. Falamos agora dos sites de “check-in”, se é que podemos usar este nome para o segmento. São sites onde você usa seu celular para avisar aos amigos onde está,ou o que está fazendo. O mais famoso deles tem crescido no Brasil. É o FourSquare. É um serviço usado principalmente para contar aos amigos em que restaurantes, bares ou baladas você está. Nem todos os celulares têm o serviço por enquanto.Somente iPhone, Blackberry e os que têm o sistema Android, do Google. Tem também o GetGlue, que podemos considerar a versão do FourSquare para o entretenimento. O serviço não chegou ao Brasil ainda.Lá, você avisa qual filme está assistindo, que música está ouvindo, ou livro que está lendo. Ganha “adesivos virtuais” para tal. Mas ao acumular 20 adesivos virtuais, o site te manda um “ de verdade”, na caixa postal de sua casa.

Algum de nós pode garantir que o Facebook estará na crista da onda na próxima década? A julgar pelo crescimento avassalador do site, muitos garantiriam sim. Tem toda a chance para tal. Mas muitos previam o mundo inteiro de possibilidades para o My Space que o magnata Rupert Murdoch adquiriu, e foi colocado de lado pelo mundo após a chegada do Facebook. Sem falar no Delicious, que insinuam ter sido posto á venda por mero 1 milhão de dólares. Pelo Yahoo! Olha ele aí de novo. Não o tirem da pauta. Esta é a dinâmica Internet!

*Coluna originalmente publicada no Jornal Interação de Araxá-MG, de 1/4/2011

sexta-feira, março 25, 2011

Vai começar tudo de novo

O circo da Fórmula 1 volta a alegrar as telas brasileiras e mundiais, a partir deste próximo domingo, às três da madruga, direto da Austrália. Como sempre, os chefões correm para alterar as regras do campeonato para que os pilotos possam produzir mais emoções em rodas.

As grandes novidades são a volta do KERS, depois de um ano fora do circuito, e a introdução da asa traseira móvel. Tanto o KERS, que gera mais energia depois das freadas aumentando os cavalos do motor, quanto a asa traseira móvel, em que o piloto poderá alterar seu ângulo para obter mais velocidade nas retas ou ultrapassar, podem ser grandes diferenciais da emoção neste ano, em relação ao morno 2010 da F1. Entre os pilotos, o alemão Sebastian Vettel tem tudo para conquistar o bicampeonato de forma ainda mais tranquila. O carro da Red Bull está melhor ainda, e o jovem piloto alemão, mais experiente e ainda mais confiante depois do título. Como grande rival dele no ano, colocaria novamente minhas fichas em Fernando Alonso.

E se for para apostar em uma surpresa correndo por fora, colocaria minha torcida brasileira na disputa e selecionaria Felipe Massa. Este ano de 2011 é, sem dúvida nenhuma, decisivo para ele. Relembrando os anos anteriores, em 2008 ele deveria ter sido campeão. Perdeu no último minuto para Lewis Hamilton por estas coisas que só acontecem na F1. Em 2009, teve a infelicidade de ser alvo da peça solta do Rubinho. 2010 pode ser considerado o ano da volta ao circuito, mas ainda meio fora de forma por causa da longa recuperação. Chega 2011 para ser o ano principal da carreira dele. Se não vier um título ou uma competição ferrenha com Alonso lá no topo, Felipe Massa poderá arrumar suas malas e partir para o resto de sua carreira em equipes menores. Ou, quem sabe, no máximo um recomeço em uma das rivais da Ferrari, que a seguir venha a se preparar especificamente bem em um determinado ano. Assim como aconteceu com a combinação Mark Webber/Red Bull, que quase deu certo no ano passado e tirou do ostracismo o já veterano piloto australiano. Ou em 2009, quando Jenson Button deu uma super guinada na carreira sagrando-se campeão da temporada, quando ninguém esperava muito mais dele. Os olhos dos britânicos e do mundo estavam em outro britânico, Lewis Hamilton. Que, diga-se de passagem, não deixou de ser um piloto excepcional. Apenas não o coloco entre os favoritos devido à pré-temporada da McLaren não muito promissora.

Por tudo isso, a torcida brasileira precisa estar especialmente afiada neste ano de 2011 para Felipe Massa. O piloto precisa fazer de sua especialidade, a obstinação, um trunfo maior. É tudo ou quase nada. Tem que pensar assim. Neste 2001 não contaremos com três brasileiros. Além de Felipe Massa, dou uma bala para quem acertar qual é o segundo piloto brasileiro. Sim, você acertou, Rubens Barrichello. Um ano para ele aumentar ainda mais seu recorde de longevidade, principalmente o de piloto que mais disputou GPs na história da F1. Se o brasileiro conseguiu chamar (e com razão) até um dos nossos maiores ídolos do futebol de “Gordo”, é devido a nosso intenso e eterno humor propício às piadinhas e ao escárnio. Rubinho não ficaria fora desse humor brasileiro. Não tem um título maior, não substituiu Senna, como idealizado pelo povão. Mas é, sem dúvida, um daqueles pilotos que entrarão para a história. Com piadinha e tudo.

sexta-feira, março 18, 2011

As escolhas

Quero parecer hoje um escritor de auto-ajuda. Quero escrever sobre o simples.Quero ser Paulo Coelho ou o Pai Rico. Criar, inventar, inovar, tudo isso requer muito talento e dedicação. Mas escrever sobre os temas mais comuns da vida pode se tornar uma armadilha móvel, caso não retiremos da cabeça aquela pretensão toda da imortalidade. Pensando nesta última palavra, a imortalidade, resolvi escrever sobre o tema de hoje. Sobre as escolhas. Um tema que vinha crescendo em minhas caminhadas diárias e que agora precisou ser colocado aqui.

Vamos desde o primeiro momento de nossas vidas. Ele só aconteceu porque nossas mães não optaram pelo aborto. Aqui estamos. Na infância, podemos nos tornar seres cruéis com nossos irmãos, aplicando golpes baixos nas partes reprodutoras deles por anos a fio. E a culpa só finalizar quando nascer o primeiro sobrinho. Mais para frente, a escolha entre o último carrinho (que antigamente era da MatchBox, e agora pode até ser dela mas geralmente é da Hot Wheels) e a primeira namorada tende a chegar entre os treze e quinze anos, mas pode ser antes ou depois. Uma questão de escolha, ou timidez. Ou várias outras opções, mas para isso eu teria que escrever um texto enveredando para a psicologia, que não é a minha área.

Uma conversa comum no Brasil é a de que um mendigo-pedinte não tem escolha. Será que não mesmo? Será que nunca passou na vida dele uma alma sequer, para sugerir um outro caminho? Para quem puxa conversa com os “profissionais” do setor de guarda de vagas de estacionamento na rua, mais uma limpadinha no vidro, é muito raro que uma sugestão destas de mudar o mundo consiga mudar a cabeça dele. Não são poucos os relatos de “profissionais” deste ramo que chegam a ganhar um salário mínimo por mês, até dois ou três, com a atividade. Melhor que roubar, dizem eles. Se é que a cobrança agressiva para um ser mais desprotegido já não seja caracterizada por roubo...

O amor por uma profissão precisa sempre passar pelo tema das escolhas. Um escritor, músico ou pintor, jamais chegará á imortalidade de sua obra, se objetivar apenas isto. Sem o prazer de pintar, escrever ou compor, não conseguirá chegar a lugar nenhum. E que lugar é este? John Lennon e um músico que tenha falecido após tocar quarenta anos em barzinhos, ambos jazem debaixo da terra. O segredo da escolha não é compor maravilhosamente bem, para que as pessoas lembrem de você depois de sua morte.Pode até ser para alguns.A escolha pode ser pela qualidade de vida, ou por fazer o que gosta. Mas pode passar também por ser profissionalmente perfeito. O segredo da escolha é...tá aí, se eu soubesse, não precisava mais fazer escolhas.

Algumas pessoas escolhem afastar de perto outras pessoas que ainda poderiam compartilhar amor com elas por muitos anos. Mas a vida pode ter dado a elas um teor maior de grosseria ou orgulho, e elas simplesmente não conseguirem escolher o caminho do perdão. Outras pessoas perdoam até bandidos.São as escolhas, que estão por toda a parte,em todos os lugares, em todos dias, anos e séculos de nossas histórias.Para Muamar Kadafi, que recebeu tanto do poder, por tantas décadas, bem que poderia surgir entre seus neurônios a escolha de poupar vidas de cidadãos que por tanto tempo toleraram-no, ou até apoiaram-no á frente da Líbia.Para os encarregados pela educação universitária de Araxá, bem que poderia surgir a escolha de escancarar todas as portas de seu comando, para qualquer investigação. Parece que isto está sendo feito. Pelo menos para quem está de longe, como é o meu caso.

Vou continuar acompanhando. Ao som das palavras de um programa matinal de rádio, feito pelo governo do Estado, que escuto todos os dias ao levar os filhos na escola.Este programa, mesmo sendo da rádio do Estado, cutuca nas próprias feridas, diariamente. Todos ganham com isso. Araxá poderia copiar mais este modelo.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

No topo de sua profissão

O dia nasce. Milhões de pais Brasil afora preparam carinhosamente seus filhos para o trajeto que enfrentarão rumo ás baciadas de jogadores, em busca de um lugar ao Sol em algum time do Brasil. Baciadas ou peneiradas, escolha o nome. Alguns deles conseguem ter um dia de sorte, um bom contato, ou qualquer outro motivo e conseguem avançar na busca por um lugar ao Sol.

O mesmo dia nasce para uma brasileira de 25 anos, no interior de Pernambuco, desempregada. Estudou apenas até completar o 1º. Grau, e olhe lá. Seu sonho é conseguir receber um salário mínimo. Até agora, nas casas que trabalhou, conseguia no máximo trezentos ou quatrocentos reais, com os patrões contrariando a lei, e a brasileira, de 25 anos, aceitando porque não tinha outra opção.

Saindo dos confins nordestinos para o ar condicionado de um escritório em São Paulo, temos agora o auxiliar administrativo de um banco importante do país. Acaba de se formar em uma boa faculdade, mas com o que ganha, não consegue ainda morar sozinho, fora da casa dos pais, seu maior sonho no momento.

Falamos aqui de três cenários: futebol profissional, atividades domésticas e carreira em grandes empresas. Cada um com sua realidade de ganhos, construída por uma série de razões que a história emoldurou. Para ser o melhor em cada um destes cenários, é preciso ser muito bom. É preciso ter mais qualidades, mais garra, mais sorte, mais tudo, em relação a seus colegas de profissão. A história emoldurou os ganhos de cada cenário. É preciso lembrar disso.

Entre profissionais do futebol, existe uma elevação dos ganhos nas últimas três décadas sem momento definido para parar. O jogador Cristiano Ronaldo, maior salário atual do futebol mundial, recebe R$2,230 milhões por mês, fora os patrocínios pessoais.Mas é uma carreira curta, que raramente ultrapassa os 20 anos de duração.O jogador precisa juntar o dinheiro de toda uma vida neste curto espaço de tempo.

O cenário das atividades domésticas tem como topo para uma profissional que a escolha, quem sabe, o cargo de governanta de uma família altamente abastada. Conseguindo um salário de R$5 mil mensais, quem sabe. Pode trabalhar até se aposentar. E dependendo da relação com os patrões, se este for seu desejo, trabalha até cansar ou ficar bem velhinha.

Já um executivo do setor bancário, que consiga chegar ao nível de presidente de um dos grandes bancos do país, abocanha R$1,1 milhão por mês. Mas diferentemente do jogador de futebol, consegue manter estes ganhos, em seu auge, por mais tempo.

Com estes três cenários diferentes em análise, presto agora uma homenagem a um profissional que chegou ao topo de sua profissão. Sob a perspectiva de um torcedor, bastava ele entrar em campo para ser um motivo suficiente para que eu desistisse de todos os outros canais de televisão, só para vê-lo em ação. Em qualquer um de seus 17 anos de carreira. Obrigado, Ronaldo.

Ao escolher estes três cenários, pensei justamente naquelas discussões iniciadas quando alguém diz que Ronaldo tinha que parar mesmo, pois já teria acumulado R$600 milhões de patrimônio. Alguns citam isso com uma ponta de inveja.Ou pontona. Outros acham isto injusto. Pois convido-os para continuar esta discussão. Ronaldo esteve no topo de sua profissão por no mínimo 3 anos, se levarmos em conta os prêmios oficiais FIFA de melhor jogador do mundo em determinado ano. Muitos o colocam na seleta galeria dos dez melhores da história. Passamos a outro profissional no topo de sua profissão: Steve Jobs. Uma pessoa altamente criativa, sensacional, que tiro o chapéu muitas vezes. Tem hoje uma fortuna que beira os 10 bilhões de reais. Não é merecido que a tenha? Porque teria mais ou menos méritos que a governanta top?

Ronaldo, Steve Jobs, a governanta top, o presidente do maior banco do país. Todos eles estão no topo de suas profissões. A meu ver, todos eles deveriam ser bilionários. Muito merecidamente. E no final, fazer como Bill Gates: doar mais de 90% do que ganharam ás causas mais nobres do mundo. Só assim o mundo não acabará.Uma pessoa sozinha não consegue tempo suficiente na vida para gastar bilhões. Como concluiria outro gênio do futebol , o canhotinha de ouro Gerson, “tá certo”?

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Relasônico

Hosni Mubarak. Já perceberam que para ser um comandante de regime autoritário é preciso ter um nome altamente sonoro e distinto? Tirando Hugo Chávez, claro, que é um nome bem normal para um sujeito muito bobinho. Mas, os outros? Fidel, Sadam, Hosni, Muammar. É quase regra. Só pode ter uma explicação: crescendo revoltados com seus nomes, descontam toda a fúria no povo, comandando um autoritarismo caricatural.

Neste momento no Egito, um deles, o Hosni, confronta milhares de manifestantes que exigem sua saída do poder, depois de 30 anos. Prevendo o aquecimento da batata para o seu lado, já providenciou a saída estratégica de sua família para uma de suas propriedades, esta na Grã Bretanha, cujo valor estimado rodeia os 8 milhões de libras. Isso é “pra lá” de 20 milhões de reais. Vamos analisar como anda o mundo? Peguemos meu “Relasônico”, um novíssimo meio de transporte supersônico trabalhando para a causa do “relativo”. Sua missão é provar que tudo é relativo. Do Egito, adentramos esta geringonça nunca antes vista pela humanidade, para depois de 15 segundos chegarmos ao estado australiano de Queensland, onde o Ciclone Yasi tem feito um estrago relativizado pela capacidade administrativa e organizacional do governo da Austrália, que já evacuou milhares de pessoas de tantas cidades, a maioria concentrada em ginásios e centros de convivência social. Estamos chegando ao fim do mundo, só pode ser. Mas, depois de mais 15 segundos de viagem, o super potente Relasônico nos leva à cidade baiana de Lençóis, na Chapada Diamantina. Cenários maravilhosos, capacidade de escutar os pássaros a qualquer hora do dia, conversas fiadas no meio da rua sem passar carros. A vida continua funcionando muito bem, a beleza continua fluindo. É tudo muito relativo. E para isso serve o Relasônico, que nos leva agora para a minha cidade natal, Araxá. O ponto de parada escolhido por ele foi a Rua Presidente Olegário Maciel, a Boa Vista. O veículo, depois de levar 15 segundos para mais uma mudança de ares interestaduais, leva dois minutos para percorrer 500 metros. Mas dentro do veículo tinha um cidadão de Aracaju, Sergipe. Ele observa atentamente as conversas dos cidadãos araxaenses. Tudo é relativo, ele pensa na hora. Pois acaba de ouvir uma reclamação sobre o “congestionamento” do centro da cidade mineira. Quase não acreditando, ele interfere na conversa para relatar os dez minutos que ele leva para percorrer cinco quilômetros em sua cidade. Cada um dentro de sua certeza local, até chegar um paulistano na roda. Ele lembra aos participantes do de repente criado debate sobre trânsito que para chegar a sua casa ele vibra quando consegue percorrer dez quilômetros em meia hora. O Relasônico, percebendo o entendimento do grupo, decide ampliar sua capacidade de armazenamento de seres humanos em seu interior para 10, e gasta mais 15 segundos para levar todos a um estádio no Peru, a cinco minutos do final da partida derradeira do Corinthians na Pré-Libertadores, onde o clima de desespero já toma conta do elenco, em campo, e da torcida, em volta dele.

Tudo é relativo. O mais novo e moderno meio de transporte do universo resolve incluir Ronaldo e um torcedor revoltado da Fiel entre os passageiros, leva todo mundo para o Estádio do Engenhão, onde Ronaldinho Gaúcho fazia sua estreia pelo Flamengo. Só alegria. Tudo é relativo. Depois do Ronaldão aprontar um cascudo no Ronaldinho por não ter aceito sua proposta para ser seu colega de time, o Relasônico resolve acabar com a brincadeira estelar, leva todo mundo para o interior do Sergipe, onde para por algumas horas para descanso e reposição de peças. Sem ter hotéis cinco estrelas ou o conforto de suas casas nos mais variados lugares, a turma reunida para em um boteco e come uma carne de sol regada a muita água de coco e prosa. Alegria no meio da seca. Tudo é muito relativo.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

O fim do jogo de equipe

Queria ter escrito esta coluna quando o campeonato mundial de Fórmula 1 terminou este ano. Mas o tempo passou um pouquinho e eu acabei vendo o documentário sobre o Senna antes de escrever algo. Antes de ver o filme, eu escreveria principalmente sobre a importância do Sebastian Vettel ter ganhado este campeonato por seus méritos próprios, sem jogo de equipe. Depois de ver, quero falar também sobre tecnologia e carros de corrida.

Aproximadamente dois anos antes de sua morte, Senna já demonstrava sua preocupação em ver a tecnologia começando a ficar mais importante que os pilotos. Quando ele morreu, já parecia nítido que havia um piloto chamado “tecnologia”, outro também, outro chamado Senna. Dezesseis anos depois, o assunto principal já não é mais tecnologia. Parece que o circo do automobilismo já se contenta em ver o campeonato dominado por duas ou três equipes no máximo. A discussão fica agora sobre como deixar o campeonato um pouco mais emocionante. Os 25 pontos por vitória ajudaram bastante na retomada da emoção. A segunda e grande discussão: sobre o jogo de equipe, se deve continuar ou não.

A vitória da Red Bull significa muito para esta discussão. Primeiro que o nome da equipe que valorizou o talento humano é este aí mesmo, Red Bull. E não RBR como tenta disseminar Galvão em terras brasilis. O resto do mundo nunca ouviu falar de RBR, só ele mesmo apareceu esta invencionice de “ah, me dá dinheiro diretamente que eu falo o nome completo da equipe”. Santa moeda, Batman! Por sinal, para construir esta matéria, entrei na seção de Fórmula 1 do portal UOL. Lá, a equipe se chama Red Bull, como no resto do mundo.

E aí, ao que interessa de verdade, a discussão sobre “jogo de equipe”. Quem acompanhou as transmissões da Globo deve ter reparado na torcida pelo Mark Webber ganhar o campeonato, por estar mais velho, por ser supostamente sua última chance, dentre outros argumentos. É uma torcida que até faz sentido, mas que esbarra em definitivo diante de 10 pole positions do Vettel, por exemplo. A Red Bull deu uma das maiores lições de esportividade dos últimos tempos, ao não participar deste papo de jogo de equipe, e deixar a competição reinar. Senna já dizia: em automobilismo, ou você entra para ganhar, ou melhor tentar outro esporte. Não faz sentido dedicar-se ao máximo por dez corridas, depois deixar o companheiro de equipe o ultrapassar, pois no momento ele tem mais pontos no campeonato. O Brasil ilustra muito bem isso. Talvez seja historicamente o país que foi mais afetado por esta besteira de aceitar jogo de equipe. Barrichello e Massa, que são dois bons camaradas, bons e ricos seres humanos, deixaram-se levar pelo medo de perderem seus lugares na Ferrari, e aceitaram que Schummy e Alonso continuassem suas sagas de vitórias. Em troca, perderam milhões de pontos de popularidade entre os torcedores brasileiros principalmente, mas do mundo todo também, o que foi o pior. Se você alinhar Piquet, Senna, Schumacher e Alonso em uma fila, verá campeões mundiais,gênios da F1, não é? E se alinhar Prost, Lauda, Massa e Barrichello, pode-se dizer o mesmo? Acho que não...Parece que o Brasil perdeu o bonde da história.Rubens já está encerrando sua carreira, belíssima por sinal,o maior pontuador da história, mesmo sem ter sido campeão mundial. Massa corre o risco de ficar de fora da Ferrari, perdendo seu lugar para Nico Hulkenberg.

Massa é brasileiro. Hulkenberg é alemão. Assim como Vettel, o novo campeão.Assim como Schummy, que aproveitou o desaparecimento de Senna e escreveu seu nome na história. Parece que a Alemanha ocupou o lugar do Brasil no topo do pódio. E sua vizinha, a Áustria, nos trouxe a equipe Red Bull, que decretou o fim (por enquanto) do jogo de equipe na Fórmula 1. Que os pilotos brasileiros aprendam com isso, e voltem a nos dar um banho dominical de alegria, como fazia Aírton. Que o Felipe seja “da massa”. E que a emoção reine, independente da bandeira. Quadriculada ou verde amarela.