Fred Neumann
Contos, marketing digital, poesia, estórias e eteceteras.
Domingo, Fevereiro 12, 2012
A máquina do tempo
Domingo, Janeiro 29, 2012
O último show de Rita Lee
Existe sim o prazer de ter presenciado o último show da carreira da Rita Lee, e é sobre isso que vou escrever hoje. Mas quero ressaltar que tenho também o desejo de ver a rainha do rock nacional voltar atrás nesta idéia e participar de alguns eventos, quando der vontade. Por exemplo, seria lindo se ela fizesse um showzaço de final de ano, todos os anos, reunindo sua família de músicos, e amigos musicais da pesada, como o “Bituca” Milton Nascimento, Zélia Duncan e tantos outros. Dito isso, agora sim, posso cravar sobre o último show de Rita Lee (por enquanto, quem sabe...): que noite memorável.
Os preparativos já começaram durante a semana via Twitter quando Rita perguntava se poderia usar acento no “u” final de Aracaju. Se o jogador Falcão uma vez disse que o jogador de futebol tem duas mortes, pois tem uma antes da final, que é quando pára de jogar, para um artista, encerrar uma carreira deve gerar um sentimento parecido. Assim que pisou o palco, pudemos sentir a emoção de todos como se fosse uma final de Copa do Mundo. A banda foi impecável durante todo o show, tocou como nunca. E eis que após umas duas músicas, surge uma presença inesperada e uma reação surpreendente.
Na platéia, tudo transcorria em ritmo de verão sergipano e uma paz de espírito entre os presentes, típico de quem recebe a honra de ver o último show de uma das maiores personalidades da história da música brasileira. Não tenho a intenção de fazer um texto-goleada de 20x0 para a Rita, pois sei que ela não gosta de bajuladores. Por isso, é importante acrescentar que a polícia passeava pelo local, tranquilamente. Pelo menos nas vezes que meus olhos enxergaram ( visão bem menos privilegiada que do palco), a polícia estava apenas caminhando entre o povo. Mais como precaução. Por outro lado, é preciso que entendamos toda a ansiedade de lovely Rita, pensando em tudo que aconteceu a ela nesta carreira musical, e que a partir do final daquele show, tudo seria passado. O futuro seria de música ainda, mas nos estúdios. “Virarei uma rata de estúdio, tenho material para mais uns 5 álbuns de inéditas”, já disse ela.
Ao ver os policiais, ela ficou com aquela vontade de garantir que eles não atrapalhariam o ambiente. Expressou isto em palavras. A ansiedade havia se convertido em uma agressividade crescente contra eles. A emoção tomou conta e não teria mais volta. Muitos palavrões, frases certeiras e pesadas, a família toda do palco filmando. Beto Lee, seu filho, em um celular, Roberto de Carvalho em um tablet, registrando tudo. E o público, a cada frase de Rita, em completo êxtase, aplaudindo cada vez mais e pedindo para a PM ir embora.
A polícia local acabou detendo Rita Lee após o show, ela foi embora pra sua Sampa horas depois e isso ficou no passado. Ela não precisava fazer isso, mas a emoção a induziu a um erro. Pode ser considerado assim. O que me chamou a atenção é que a banda local de reggae “Reação” também fez apologia à maconha, apesar de não xingá-los, mas a polícia não chegou a pensar em detê-los também. No mínimo curioso.
Tudo isso fez parte desta noite. Era pra ter sido assim mesmo. Como se a noite final tivesse sido feita pra ser um resumo de sua carreira: cheia de músicas maravilhosas, de alegria, de fãs maravilhados por seu talento, mas também cheia de polêmicas. Afinal, se o Chico Science gostava de uma cerveja antes do almoço pra ficar pensando o melhor, Rita Lee sempre gostou de uma opinião firme pra ficar pensando a vida, a sociedade, seus prazeres, suas músicas.
Obrigado, Rita Lee! Nossa música é tão rica, reconhecida no exterior, e você tem grande parte nisso. Eu sei que você disse que seria o último show. Mas se mudar de idéia, seus milhares de fãs estarão te esperando de sorriso aberto. E torcendo para que sua relação com a polícia apenas ajude a levantar bons debates.
Fred Neumann é cantor, compositor, publicitário e cronista. Pode assumir outros papéis também. A vida muda muito.
Sábado, Janeiro 28, 2012
1996, antes e depois na web brasileira
Se você nasceu depois de 1996, não chegou a viver em um mundo sem Internet. Eu escolhi o ano de 1996 pois foi o primeiro ano em que a Internet começou a chegar em mais do que alguns lares brasileiros. Lá fora já estava mais disseminada. Mas por aqui, o ano do começo de alguma popularização da Internet foi 1996.
Mas vamos pensar como era esse mundo pré-1996?
Ao acordar, não entrávamos no Facebook para dar bom dia a mais de 1000 amigos ao mesmo tempo. O bom dia ficava reservado primeiramente às nossas famílias em casa, depois a alguns colegas de trabalho. E por telefone, entre namorados ou para os melhores amigos.
Quando chegava o mau humor, para não afetar as pessoas queridas, era melhor ficar quieto, até passar. Ou se fosse uma crise insuportável de chatice, afetava somente quem estava no convívio mais próximo. Não existiam as redes sociais para reverberar nossos piores momentos a qualquer instante.
Por outro lado, quando um filho mudasse de país em um intercâmbio, a única esperança para os pais era que o filho tivesse a boa alma para ligar de vez em quando, ou escrever cartinhas. A geração pós 1996 tem o Skype para falar e ver a pessoa a milhares de quilômetros de distância, sempre que bater qualquer micro saudade.
Ok, mas estou escrevendo este texto hoje para falar especificamente do que tem acontecido no Facebook. Se na geração pré-1996 você gostava de determinados assuntos, com o tempo passaria a filtrar suas amizades com aqueles que tinham gostos parecidos. O convívio diminuía para um grupo menor, uma “turminha”.
Hoje, no Facebook, cada assunto que você comentar, curtir ou postar poderá ter uma “turminha” diferente postando sobre ele. Para aqueles que não possuem tanta paciência de compartilhar os assuntos de todos ou com todos, existem os grupos. Por exemplo: eu participo de um grupo chamado “Inclusão Musical”, em que os participantes postam vídeos de seus artistas favoritos, geralmente sendo de artistas de muito talento, que não possuem tanto espaço nas rádios tradicionais. Lá, as músicas que curto geralmente são curtidas por um ou outro do grupo, mas o melhor é que não estou incomodando ninguém que não curta estes artistas. Se eu postasse um mesmo vídeo de uma destas músicas em minha “timeline” central, poderia escutar de um ou outro dos meus mais de 1500 amigos de Face alguma piadinha ou comentário desagradável. Poderia até receber ofensas, e consequentemente querer excluí-los da lista de amigos. Para isso existem os Grupos. São como as turminhas do “pré-1996”.
Tudo isto para chegar aos comentários sobre BBB, sobre a Luiza, que chegou do Canadá, sobre o brasileiro falar destes assuntos ao invés de comentar sobre os ataques cibernéticos do Anonymous ao site do FBI, depois que este órgão retirou o site Megaupload.com do ar. Que estes últimos assuntos citados seriam muito mais importantes do que os primeiros, e que por isto deveríamos ter vergonha de sermos brasileiros. Para quem tem esta opinião, caso isto realmente esteja te incomodando, crie um Grupo. Faça uma “turminha” no Face. Não seja tão agudo nas suas ofensas, ou não escancare tanto seu mau humor, para não receber comentários ainda mais agudos. Ou pior, o silêncio de quem antes te admirava.
Afinal, existem os fãs do BBB, existem aqueles que acharam toda esta história da Luiza muito divertida. Existem até marcas que a contrataram, e continuam contratando-a para eventos, São Paulo Fashion Week, Jornal Hoje, etc. O jornalista que criticou o movimento em torno dela, o Carlos Nascimento, não tem mais presença no Twitter desde 2010. Ou seja, não tem o espírito 2.0, não põe a cara a bater. Não dialoga.
Os mau humorados sempre existirão. Os reclamões também. Caso você seja uma pessoa das que nasceram pré-1996 e não se encaixe neste perfil, antes de postar uma reclamação o sobre um dos assuntos populares da semana, participe de um “Grupo” no Face. Troque o que seria uma reclamação por um conteúdo que possa afetar positivamente aqueles que te cercam. Ou se for realmente uma crise de TPM, tudo bem, vou te respeitar. Só lembre que mais chato que o bafafá sobre a Luiza, pode ser uma crise sua de mau humor. Pronto, reclamei!
Fred Neumann, é cantor, compositor, publicitário e cronista nas horas vagas.
Quarta-feira, Dezembro 14, 2011
A 12 horas da última rodada do Brasileirão 2011
(coluna escrita 12 horas antes da rodada final sensacional do Brasileiro-2011 de Futebol)
Está congelado este momento do futebol brasileiro. Faltam exatas 12 horas para o início da derradeira rodada que definirá o Campeonato Brasileiro de Futebol da Série A de 2011. Resolvi acordar para escrever sobre isso, parece. Pois o momento me chama a atenção. Realmente não existe um campeonato de futebol no mundo tão equilibrado quanto o nosso. Vamos fazer o teste indo de time a time.
O Campeonato Brasileiro de Futebol da Série A é composto por 20 times. Antes de começar esta emocionante última rodada, com todos os jogos começando no mesmo horário ( tirando o de um ou outro cartola que acaba atrasando o jogo de seu time por alguns minutos sem punição), o Corinthians aparece na 1a. posição. Mas não aparecia no início do campeonato como favorito absoluto, como Real Madrid e Barcelona aparecem na Espanha. Quem é a principal estrela do Corinthians? O goleiro Julio Cesar? O sheik das botinadas Emerson, que estará suspenso para o último jogo? O Corinthians precisa de um empate para o título, mas foi colocado o ingrediente a mais, pois assim como o bando de loucos enfrentará o maior rival para tentar ganhar o título, assim será com a maioria esmagadora dos demais.
O Vasco, que é o único time a ter chance de tirar o título do Corinthians, não estava só nesta posição há 5 rodadas apenas, quando tinham 8 times disputando o título. Novamente aí, uma estrela diferente a se destacar, saindo da zaga: o grandalhão, mas rápido, decisivo e goleador Dedé. Para apimentar ainda mais, o Vasco precisa vencer a última partida, mas não contra qualquer time. Vai definir tudo contra o time dos torcedores que mais o chamaram de “vice” nos últimos tempos: o Flamengo. Só por isso já tem aquele super ingrediente de decisão.
Vamos ao terceiro lugar da tabela, o Fluminense. Apesar de ser um dos poucos sem almejar muita coisa, pois não tem chances de título e já está classificado para a Libertadores, pode consolidar o Botafogo de fora dela, pois o time alvinegro ainda tem (poucas) chances.
O quarto colocado da tabela é o Flamengo, que já citamos. Precisa de um empate contra o Vasco. Mas qualquer resultado é imprevisível.
O quinto colocado foi a grande surpresa da última rodada. Qual campeonato no mundo consegue reservar uma surpresa para a penúltima rodada? De repente, quando ninguém esperava, o Coritiba galgou todas as posições até a quinta, e agora “só” precisa de uma vitória para confirmar sua vaga na Libertadores. Incrível, ok, mas joga contra quem? O furacão Atlético/PR, seu maior rival, lutando desesperadamente para não cair. Na imprensa paranaense, muitos qualificam este como o Atletiba do século. Um amigo meu torcedor do Furacão preferiu refugiar-se em uma praia a ver este jogo. É só para quem tem certeza do bom funcionamento do coração, se é que isto é possível.
Inter/RS e Figueirense ainda tem chances de Libertadores, na sexta e sétima posições. E jogam contra quem? Seus principais rivais, Grêmio e Avaí. Na oitava posição, o São Paulo jogará sua última chance de Libertadores também contra um grande rival, o Santos. E aí que o Campeonato Brasileiro chama muita atenção. Antes de falar do Santos, só lembro que o Botafogo é o último time na nona posição a ter chance de Libertadores. Vamos ao Peixe então, décimo colocado. O que atrai a curiosidade do mundo todo é que a maior estrela do campeonato, o Neymar, pode ser coroado durante a semana como o melhor jogador do Brasileirão-2011, tendo seu time ficado em décimo lugar. É o mesmo que dizer que um jogador do Genoa na Itália, ou do Getafe na Espanha levariam o cetro de melhor jogador do Ibra ou do Messi.
Indo então para a 11a. posição, temos o Palmeiras. Bom, se fosse em outro campeonato, para que jogaria o 11o. colocado? Só que aqui ele fará um dos maiores clássicos do futebol brasileiro, contra o Corinthians, e deverá fazer de tudo para tirar o título deles. Emocionante ao extremo.
Na 12a. e 13a. colocações, o mesmo vale para o Grêmio e para meu time do coração, o Galo Atlético Mineiro. Disputarão seus maiores clássicos, contra Inter e Cruzeiro, decidindo muita coisa. No caso do Galo, para muitos torcedores é um dos momentos mais importantes das últimas décadas. É poder jogar o seu maior rival na Série B, e devolver algumas piadinhas de quando o time caiu para este mesmo lugar 6 anos antes.
Na 14a. posição, alguém poderia considerar que se trataria de um time sem muitas aspirações históricas, o Atlético/GO, mas mesmo assim jogará para consolidar sua vaga na Sulamericana, um feito inédito na história do clube.
Quer respirar? Impossível, pois o Bahia, o 15o. lugar, terá papel fundamental na vida de Ceará, contra quem joga, Cruzeiro e Atlético/PR. Caso perca o jogo para o Ceará, pode decretar 4 times nordestinos na Série A de 2012.
Em 16o. lugar, vem Cruzeiro, jogando com torcida única uma das partidas mais importantes de sua história sem seus dois maiores ídolos, Montillo e Fábio.
Em 17o. lugar o Ceará fará esta partida histórica para o Nordeste contra o Bahia fora de casa.
Em 18o. lugar, o furacão Atlético/PR fará o Atletiba do Século para muitos, como falamos.
E aí sim, Avaí e América, os dois únicos já rebaixados, e mesmo assim farão jogos históricos neste Domingo.
O momento está congelado. Posso voltar a dormir, pois é o melhor jeito de conter a ansiedade das próximas 10 horas e 35 minutos. Sim, para quem gosta de matemática e faz contas, levei 1 hora e 25 minutos para escrever esta coluna de novecentas e quarenta palavras.
Domingo, Dezembro 11, 2011
A disputa entre Google e Facebook nas entrelinhas
Quando a fama ainda não havia chegado, o jovem Mark Zuckerberg acompanhou com atenção as palavras de Bill Gates em uma palestra na Harvard. Hoje em dia, o que mais vemos é uma disputa entre Google e Facebook nas entrelinhas. Não entre Mark e Bill, pois o Gates está mais preocupado em salvar o mundo que a sua empresa, que continua indo muito bem,obrigado. E por ter uma atuação tão grandiosamente destacada em sua Bill & Melinda Gates Foundation, eu constantemente tiro o chapéu para ele.
Mas é interessante acompanhar a disputa entre Google e Facebook pelo gosto do internauta nas redes sociais. Presto atenção nas afirmações das duas gigantes e o jeito que eles tentam se esquivar para tirar um pouco a atenção da concorrente, como se isso fosse possível.
Por um lado, o chefe de negócios do Google, Nikesh Arora, disse há duas semanas, no dia 11 de Novembro, que o Google+ não é uma rede social. Ele quis passar a idéia de que o Google+ agrega elementos sociais a todos os serviços e produtos que oferecem. É bem provável que ele queira passar ao público a mensagem de que “hey, fique no Google e seus sites, quando quiser se socializar, o Google+ está pronto para você usar.” Indo mais além, incorporar o Google+ em tudo, inclusive no Facebook, pode ser a estratégia do Google para abocanhar tudo.
Três dias depois, Mark Zuckerberg contra-atacou para o Facebook. Disse para um programa de televisão norte-americano que o Google+ seria uma pequena versão do Facebook. Com isso, a mensagem que ele desejou passar provavelmente foi “hey, mercado, não ligue para o Google+, eles não estão aí para alojar todo mundo não, isso é coisa para nós do Facebook.”
Ninguém quer admitir, mas a verdadeira batalha é esta: quem vai alojar o mundo inteiro. De um lado do ringue, o Google diz que o Google+ não é uma rede social, mas sim que agrega elementos sociais a qualquer coisa, site, ferramenta deste mundo da web. Do outro lado do ringue, o Facebook diz que o Google+ é um mini-Facebook, para tentar convencer o mundo de que tudo, perto do Facebook, é mini. E assim, atingir seu objetivo principal, que é fazer o mundo todo se conectar pelo Facebook.
Assim, a verdadeira disputa nas entrelinhas é para conquistar o título de site que engoliu toda a Internet. Na verdade, uma disputa mais para a mídia e para os egos. Pois não é visualizável, pelo menos por enquanto, que alguma destas empresas possa chegar a cair tanto quanto o Yahoo! caiu depois de tanto estrelato. Os modelos de Google e Facebook parecem ter aprendido dos erros da velhinha e precursora Yahoo! Que ela não nos ouça (leia)...
Já no mundo financeiro, a luta do Facebook deve ser para conquistar a solidez que o Google já possui. Nesta seara, os números ainda são bem diferentes, apesar de crescentes para as duas empresas. O Google teve um lucro 17,35% maior no 1o. Trimestre de 2011, em relação ao mesmo período de 2010, chegando a um lucro de US$2,3 bi para um faturamento de US$8,58 bi. Enquanto isso, a Reuters especula que o Facebook, que ainda não divulga seus balanços, tenha faturado US$1,6 bi. Mas em 6 meses...ou seja, apesar do Facebook estar crescendo em um ritmo provável de 50% por semestre, ainda fatura aproximadamente 10 vezes menos que o Google. Muito chão para percorrer. Mas nada que deva tirar o sono de um cidadão normal. Você perderia o sono com um 2o. lugar no seu segmento, faturando mais de 1 bi de dólares por semestre?
Eu não. Mas que esta disputa rende, ninguém tem dúvida...
Quinta-feira, Novembro 17, 2011
Os presentes mais desejados de Natal

Sexta-feira, Novembro 11, 2011
Tumblr, o Twitter dos blogs
Claro, depende da idade de quem ler este texto. Mas imaginemos que você tenha acompanhado a Internet nos últimos 10 ou 15 anos. Deve ter presenciado o que vou relatar agora. Primeiro, você usava o comunicador de mensagens instantâneas ICQ, que vinha com aquele barulhinho hoje saudoso “u-uuull”. De repente, praticamente sem avisar, se você não estivesse bem atento, não entenderia como, num passe de mágica, o ICQ deixou de ser a bola da vez e passou o estrelato ao Messenger. A Microsoft não perdeu a oportunidade e comprou-o.
A vida social na Internet começou a ganhar corpo, quando você precisou criar seu perfil no Orkut, porque todos seus conhecidos estavam lá. Alguns de nós, diria uns 40 milhões de nós brasileiros, ficou muito tempo por lá, e muitos continuam ainda. Só que muitos outros migraram-se para um site que favoreceu vários aspectos da socialização que nenhum outro havia feito antes na história deste mundo social web. Era a chegada do Facebook. Com ele, uma das grandes barreiras quebradas foi a de que a Internet ajudava a isolar as pessoas, ao invés de aproximá-las. Através de uma série de inovações, estamos cada vez mais próximos uns dos outros.
Por outro lado, quando alguma crise política acontecia no Oriente Médio, ninguém ficava sabendo. Se uma chuva interminável caísse em sua cidade gerando engarrafamentos e alagamentos que deixavam sua saída de casa para o trabalho mais próxima de uma aventura de Indiana Jones, a única forma de descobrir se você tinha alguma chance de chegar ao seu destino era ligar a televisão ou o rádio. Com a chegada do Twitter, isso mudou definitivamente. Ditadoras eternas foram derrubadas com o auxílio desta nova rede social. As pessoas criaram o hábito de enviar via Twitter de seus celulares suas impressões sobre o trânsito em dias de chuva, orientando os seus seguidores a não percorrerem tal trajeto. Os artistas ficaram muito mais próximos de seu público, pois ficou possível para um fã chegar ao seu ídolo usando apenas um @. No Twitter, tudo isso foi permitido principalmente pela sua característica das mensagens serem limitadas a 140 caracteres, mas que com o tempo chegaram também as fotos e vídeos. Isso deu ao Twitter a fama de site “rápido”, para assuntos urgentes, importantes, que se viralizam de uma forma incrível.
Aproveitando desta nova característica a qual o internauta se acostumou, o americano David Karp, do alto de seus 21 anos, criou em 2007 o Tumblr. Um serviço de blogs similar ao Blogspot e ao Wordpress, mas com algumas novidades. O Tumblr se tornou o Twitter dos blogs. Ajudou a popularizar mais uma expressão da web, mas tanto que alguns apostam na entrada dela como um verbo nos dicionários. E que desde já está presente no artigo sobre o Tumblr na Wikipédia: é o verbo “reblogar”. Se no Twitter o usuário “retuíta” com um limite de 140 caracteres, no Tumblr, se você gosta da postagem de algum dos “Tumblrs” que você segue, pode “reblogá-lo”, postando esta mesma postagem do seu “Tumblr” favorito em seu Tumblr. Isso viraliza uma postagem imensamente, como no Twitter.
Além de ter criado a expressão “reblogar”, o Tumblr foi além e ajudou a popularizar diversas outras expressões no Brasil, como “Fica, vai ter bolo”, “Quer ver na Copa”, “Porra
Qual será a próxima inovação? Reinventa tudo aí e conte pra gente. Ou empreenda, criando seu próprio serviço na web.
Fred Neumann é publicitário e pós-graduando em mídias digitais. Além disso, acha que é cronista, cantor e compositor. Escreve semanalmente para o Agito Atibaia.
* coluna originalmente postada no Agito Atibaia