sábado, março 11, 2006

Finge

Finge que não existe
E vira uma esfinge
Simula um torcicolo triste
De dor roxa na faringe

Disfarça a sua carência
Um gorro cinza na cabeça
Sua presença é uma ausência
Antes que eu me esqueça

O programa de tv matinal
Daqueles que falam de tudo
Ou nada, sem sal
Falam da falta de gozo absurdo
Finge

Dissimula
Anota na súmula
Quatro ao invés de três
Anula o sentimento que viria
Na virilha aperta a dor que sumiria

Finge que escreve maratona
Tão longa e tão suada
Nega beijar a lona
Sustenta que és uma fada

Hoje não tem base pra promessa
Ainda virá nestas páginas longas na calada da noite e escreverá, com a companhia de um copo de refrigerante e família, dormindo, uma longa poesia destas do tipo épicas, cheias de personagens, com batalhas, conflitos, ausências, sumiços, fingimentos, futebol, e trará o leitor junto, espera-se por quarenta e cinco minutos, depende do relógio, depende da velocidade da leitura, algo assim
Ao menos finge,
Esfinge, sonolenta
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