quinta-feira, fevereiro 24, 2011

No topo de sua profissão

O dia nasce. Milhões de pais Brasil afora preparam carinhosamente seus filhos para o trajeto que enfrentarão rumo ás baciadas de jogadores, em busca de um lugar ao Sol em algum time do Brasil. Baciadas ou peneiradas, escolha o nome. Alguns deles conseguem ter um dia de sorte, um bom contato, ou qualquer outro motivo e conseguem avançar na busca por um lugar ao Sol.

O mesmo dia nasce para uma brasileira de 25 anos, no interior de Pernambuco, desempregada. Estudou apenas até completar o 1º. Grau, e olhe lá. Seu sonho é conseguir receber um salário mínimo. Até agora, nas casas que trabalhou, conseguia no máximo trezentos ou quatrocentos reais, com os patrões contrariando a lei, e a brasileira, de 25 anos, aceitando porque não tinha outra opção.

Saindo dos confins nordestinos para o ar condicionado de um escritório em São Paulo, temos agora o auxiliar administrativo de um banco importante do país. Acaba de se formar em uma boa faculdade, mas com o que ganha, não consegue ainda morar sozinho, fora da casa dos pais, seu maior sonho no momento.

Falamos aqui de três cenários: futebol profissional, atividades domésticas e carreira em grandes empresas. Cada um com sua realidade de ganhos, construída por uma série de razões que a história emoldurou. Para ser o melhor em cada um destes cenários, é preciso ser muito bom. É preciso ter mais qualidades, mais garra, mais sorte, mais tudo, em relação a seus colegas de profissão. A história emoldurou os ganhos de cada cenário. É preciso lembrar disso.

Entre profissionais do futebol, existe uma elevação dos ganhos nas últimas três décadas sem momento definido para parar. O jogador Cristiano Ronaldo, maior salário atual do futebol mundial, recebe R$2,230 milhões por mês, fora os patrocínios pessoais.Mas é uma carreira curta, que raramente ultrapassa os 20 anos de duração.O jogador precisa juntar o dinheiro de toda uma vida neste curto espaço de tempo.

O cenário das atividades domésticas tem como topo para uma profissional que a escolha, quem sabe, o cargo de governanta de uma família altamente abastada. Conseguindo um salário de R$5 mil mensais, quem sabe. Pode trabalhar até se aposentar. E dependendo da relação com os patrões, se este for seu desejo, trabalha até cansar ou ficar bem velhinha.

Já um executivo do setor bancário, que consiga chegar ao nível de presidente de um dos grandes bancos do país, abocanha R$1,1 milhão por mês. Mas diferentemente do jogador de futebol, consegue manter estes ganhos, em seu auge, por mais tempo.

Com estes três cenários diferentes em análise, presto agora uma homenagem a um profissional que chegou ao topo de sua profissão. Sob a perspectiva de um torcedor, bastava ele entrar em campo para ser um motivo suficiente para que eu desistisse de todos os outros canais de televisão, só para vê-lo em ação. Em qualquer um de seus 17 anos de carreira. Obrigado, Ronaldo.

Ao escolher estes três cenários, pensei justamente naquelas discussões iniciadas quando alguém diz que Ronaldo tinha que parar mesmo, pois já teria acumulado R$600 milhões de patrimônio. Alguns citam isso com uma ponta de inveja.Ou pontona. Outros acham isto injusto. Pois convido-os para continuar esta discussão. Ronaldo esteve no topo de sua profissão por no mínimo 3 anos, se levarmos em conta os prêmios oficiais FIFA de melhor jogador do mundo em determinado ano. Muitos o colocam na seleta galeria dos dez melhores da história. Passamos a outro profissional no topo de sua profissão: Steve Jobs. Uma pessoa altamente criativa, sensacional, que tiro o chapéu muitas vezes. Tem hoje uma fortuna que beira os 10 bilhões de reais. Não é merecido que a tenha? Porque teria mais ou menos méritos que a governanta top?

Ronaldo, Steve Jobs, a governanta top, o presidente do maior banco do país. Todos eles estão no topo de suas profissões. A meu ver, todos eles deveriam ser bilionários. Muito merecidamente. E no final, fazer como Bill Gates: doar mais de 90% do que ganharam ás causas mais nobres do mundo. Só assim o mundo não acabará.Uma pessoa sozinha não consegue tempo suficiente na vida para gastar bilhões. Como concluiria outro gênio do futebol , o canhotinha de ouro Gerson, “tá certo”?

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Relasônico

Hosni Mubarak. Já perceberam que para ser um comandante de regime autoritário é preciso ter um nome altamente sonoro e distinto? Tirando Hugo Chávez, claro, que é um nome bem normal para um sujeito muito bobinho. Mas, os outros? Fidel, Sadam, Hosni, Muammar. É quase regra. Só pode ter uma explicação: crescendo revoltados com seus nomes, descontam toda a fúria no povo, comandando um autoritarismo caricatural.

Neste momento no Egito, um deles, o Hosni, confronta milhares de manifestantes que exigem sua saída do poder, depois de 30 anos. Prevendo o aquecimento da batata para o seu lado, já providenciou a saída estratégica de sua família para uma de suas propriedades, esta na Grã Bretanha, cujo valor estimado rodeia os 8 milhões de libras. Isso é “pra lá” de 20 milhões de reais. Vamos analisar como anda o mundo? Peguemos meu “Relasônico”, um novíssimo meio de transporte supersônico trabalhando para a causa do “relativo”. Sua missão é provar que tudo é relativo. Do Egito, adentramos esta geringonça nunca antes vista pela humanidade, para depois de 15 segundos chegarmos ao estado australiano de Queensland, onde o Ciclone Yasi tem feito um estrago relativizado pela capacidade administrativa e organizacional do governo da Austrália, que já evacuou milhares de pessoas de tantas cidades, a maioria concentrada em ginásios e centros de convivência social. Estamos chegando ao fim do mundo, só pode ser. Mas, depois de mais 15 segundos de viagem, o super potente Relasônico nos leva à cidade baiana de Lençóis, na Chapada Diamantina. Cenários maravilhosos, capacidade de escutar os pássaros a qualquer hora do dia, conversas fiadas no meio da rua sem passar carros. A vida continua funcionando muito bem, a beleza continua fluindo. É tudo muito relativo. E para isso serve o Relasônico, que nos leva agora para a minha cidade natal, Araxá. O ponto de parada escolhido por ele foi a Rua Presidente Olegário Maciel, a Boa Vista. O veículo, depois de levar 15 segundos para mais uma mudança de ares interestaduais, leva dois minutos para percorrer 500 metros. Mas dentro do veículo tinha um cidadão de Aracaju, Sergipe. Ele observa atentamente as conversas dos cidadãos araxaenses. Tudo é relativo, ele pensa na hora. Pois acaba de ouvir uma reclamação sobre o “congestionamento” do centro da cidade mineira. Quase não acreditando, ele interfere na conversa para relatar os dez minutos que ele leva para percorrer cinco quilômetros em sua cidade. Cada um dentro de sua certeza local, até chegar um paulistano na roda. Ele lembra aos participantes do de repente criado debate sobre trânsito que para chegar a sua casa ele vibra quando consegue percorrer dez quilômetros em meia hora. O Relasônico, percebendo o entendimento do grupo, decide ampliar sua capacidade de armazenamento de seres humanos em seu interior para 10, e gasta mais 15 segundos para levar todos a um estádio no Peru, a cinco minutos do final da partida derradeira do Corinthians na Pré-Libertadores, onde o clima de desespero já toma conta do elenco, em campo, e da torcida, em volta dele.

Tudo é relativo. O mais novo e moderno meio de transporte do universo resolve incluir Ronaldo e um torcedor revoltado da Fiel entre os passageiros, leva todo mundo para o Estádio do Engenhão, onde Ronaldinho Gaúcho fazia sua estreia pelo Flamengo. Só alegria. Tudo é relativo. Depois do Ronaldão aprontar um cascudo no Ronaldinho por não ter aceito sua proposta para ser seu colega de time, o Relasônico resolve acabar com a brincadeira estelar, leva todo mundo para o interior do Sergipe, onde para por algumas horas para descanso e reposição de peças. Sem ter hotéis cinco estrelas ou o conforto de suas casas nos mais variados lugares, a turma reunida para em um boteco e come uma carne de sol regada a muita água de coco e prosa. Alegria no meio da seca. Tudo é muito relativo.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

O fim do jogo de equipe

Queria ter escrito esta coluna quando o campeonato mundial de Fórmula 1 terminou este ano. Mas o tempo passou um pouquinho e eu acabei vendo o documentário sobre o Senna antes de escrever algo. Antes de ver o filme, eu escreveria principalmente sobre a importância do Sebastian Vettel ter ganhado este campeonato por seus méritos próprios, sem jogo de equipe. Depois de ver, quero falar também sobre tecnologia e carros de corrida.

Aproximadamente dois anos antes de sua morte, Senna já demonstrava sua preocupação em ver a tecnologia começando a ficar mais importante que os pilotos. Quando ele morreu, já parecia nítido que havia um piloto chamado “tecnologia”, outro também, outro chamado Senna. Dezesseis anos depois, o assunto principal já não é mais tecnologia. Parece que o circo do automobilismo já se contenta em ver o campeonato dominado por duas ou três equipes no máximo. A discussão fica agora sobre como deixar o campeonato um pouco mais emocionante. Os 25 pontos por vitória ajudaram bastante na retomada da emoção. A segunda e grande discussão: sobre o jogo de equipe, se deve continuar ou não.

A vitória da Red Bull significa muito para esta discussão. Primeiro que o nome da equipe que valorizou o talento humano é este aí mesmo, Red Bull. E não RBR como tenta disseminar Galvão em terras brasilis. O resto do mundo nunca ouviu falar de RBR, só ele mesmo apareceu esta invencionice de “ah, me dá dinheiro diretamente que eu falo o nome completo da equipe”. Santa moeda, Batman! Por sinal, para construir esta matéria, entrei na seção de Fórmula 1 do portal UOL. Lá, a equipe se chama Red Bull, como no resto do mundo.

E aí, ao que interessa de verdade, a discussão sobre “jogo de equipe”. Quem acompanhou as transmissões da Globo deve ter reparado na torcida pelo Mark Webber ganhar o campeonato, por estar mais velho, por ser supostamente sua última chance, dentre outros argumentos. É uma torcida que até faz sentido, mas que esbarra em definitivo diante de 10 pole positions do Vettel, por exemplo. A Red Bull deu uma das maiores lições de esportividade dos últimos tempos, ao não participar deste papo de jogo de equipe, e deixar a competição reinar. Senna já dizia: em automobilismo, ou você entra para ganhar, ou melhor tentar outro esporte. Não faz sentido dedicar-se ao máximo por dez corridas, depois deixar o companheiro de equipe o ultrapassar, pois no momento ele tem mais pontos no campeonato. O Brasil ilustra muito bem isso. Talvez seja historicamente o país que foi mais afetado por esta besteira de aceitar jogo de equipe. Barrichello e Massa, que são dois bons camaradas, bons e ricos seres humanos, deixaram-se levar pelo medo de perderem seus lugares na Ferrari, e aceitaram que Schummy e Alonso continuassem suas sagas de vitórias. Em troca, perderam milhões de pontos de popularidade entre os torcedores brasileiros principalmente, mas do mundo todo também, o que foi o pior. Se você alinhar Piquet, Senna, Schumacher e Alonso em uma fila, verá campeões mundiais,gênios da F1, não é? E se alinhar Prost, Lauda, Massa e Barrichello, pode-se dizer o mesmo? Acho que não...Parece que o Brasil perdeu o bonde da história.Rubens já está encerrando sua carreira, belíssima por sinal,o maior pontuador da história, mesmo sem ter sido campeão mundial. Massa corre o risco de ficar de fora da Ferrari, perdendo seu lugar para Nico Hulkenberg.

Massa é brasileiro. Hulkenberg é alemão. Assim como Vettel, o novo campeão.Assim como Schummy, que aproveitou o desaparecimento de Senna e escreveu seu nome na história. Parece que a Alemanha ocupou o lugar do Brasil no topo do pódio. E sua vizinha, a Áustria, nos trouxe a equipe Red Bull, que decretou o fim (por enquanto) do jogo de equipe na Fórmula 1. Que os pilotos brasileiros aprendam com isso, e voltem a nos dar um banho dominical de alegria, como fazia Aírton. Que o Felipe seja “da massa”. E que a emoção reine, independente da bandeira. Quadriculada ou verde amarela.

Frase idosa

Não tenha dó de qualquer cara enrugada. O velho pode ser um filho da puta que envelheceu.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Poema-texto andando pelas ruas de Araxá

Não há no poema um problema que não possa ser amenizado. Não há na poesia uma heresia que não possa ser aceita e transformada em vinho. Quando eu vinha descendo as ruas levando-me aos pontos mais finais de nossa cidade, era possível reconhecer a mistura entre o carbônico e o atônito silêncio da vegetação ainda intacta. Uma foto e tanto, com o céu em prantos a molhar a camiseta do atleta esporádico das quatro da tarde. O destino do olhar direito muitas vezes coincidindo com o destino do outro lado: pessoas talvez conhecidas. Elas nos fazem erguer as mãos em forma de aceno cauteloso, como forma de garantia. Na próxima fatia de relacionamento social, ficaria mau o episódio anterior não contendo um aceno. Assim, fica mais ameno. Mesmo que na social pausa da caminhada, o passante não seja reconhecido, menos doloridos ficam os próximos capítulos. Hey, você me viu ontem, você é um rei. Um príncipe da rua da banha. Eu sou um condutor de carro em curtas distâncias, pois não acho as instâncias pra melhorar a saúde, buscar a endorfina ou prestigiar a menina. Volto às ruas. Pois, nelas, todas as casas estão nuas. Paradas, não mostram suas roupas das passagens automobilísticas. Mesmo as casas mais paradisíacas, de perto, precisam ter seu charme antes que o desarme. Uma imensidão de mansão de concreto, de perto, reduz seu valor sem calor. Os olhos de quem anda coroa os jardins coloridos, já que o cinza não tem vez, assim tão demorada a observação. O ex-prefeito a pé é gente como a gente, a nova modelo, candidata a morar fora, empata na tabela de classificação do campeonato de andar nas ruas araxaenses com a espevitada doméstica cativante, pois o perfume da simpatia empatou o jogo.

Imbiarando, fausto-alvimzando, os carros de corrida de brincadeirinha completam os espaços esquecidos dos torcedores de outras épocas. O Ganso sai do seu beco, escondido por alguns meses do ano, alegra a massa, antes e depois dele, vai carrinho, então, preencher com umas muitas pratas por cinco voltas no circuito. As crianças não ganham direito a um passaporte ao passado se a tevê deixa o bumbum assado de tanto se acomodar no sofá. Sai para conhecer Araxá, busca alguns poemas perdidos aí nas ruas. Você é um craque muito antes que lhe ofereçam o crack. Faz a troca, pisoteia a oferta do bandido dando-lhe cento e quarenta e sete poemas. Ele não tem como lhe pagar, vai para o ar e acrescenta um empréstimo e não será o sétimo do dia a perder a luz do dia. Achará ele o ar de Araxá ou não, terá em seu bolso e em sua mão aqueles cento e quarenta e sete poemas. Pode trocar nos ouvidos pro idoso, escutando a aventura que ele murmura de seus anos dourados. Pode comprar um novo curso para sua vida, de enfermagem ou de bobagem, mas um curso com uma meta no final, no meio e no começo. Pode entregar vinte e nove poemas ao seu pai, que não teve como dizer nem um ai, na época em que ele era crackque, com todas estas consoantes no meio como pedras no caminho da gramática. A vida não é tão dramática quanto o cinza testemunhado parado na parede sem verde da mansão antes bonita de dentro de um esvoaçante. Pode parar perto dali, e tomar um açaí por quarenta e um poemas, mais algumas notas do emprego que ganhou direito, depois de ficar rico em poemas.

O milionário excrackqueado aplicou seus poemas na construção de uma boa vista do seu futuro, sempre andando, a pé sem carros. Ficou rico em turistas amigos recentemente conquistados. Com os juros de seus poemas, aplicou na bolsa da mãe muitas cartinhas, com declarações de amor. Deixou o horror de lado, votou certo na outra eleição e, pra terminar, mostrou por oito poemas cada, músicas do Milton Nascimento para seus amigos ainda crackquveados. Fez sua parte, encheu Araxá de lirismo, deixou pra lá o egoísmo e viveu pra sempre com sua alma gêmea. Sem algemas.

quinta-feira, novembro 04, 2010

A Boa Vista do centro


Inspirado pela bela coluna do meu amigo Tancredo Borges Guimarães,cujo currículo e lista de qualidades eu vou resumir em “artista plástico e muito mais” por não caber aqui neste curto espaço, quero, por amor á nossa cidade, entrar no debate sobre a Boa Vista e o centro.

Talvez a maior riqueza que temos ao viajar muito é ter referências de tantos lugares para trazer à nossa terrinha e ajudá-la a crescer.Vamos então ao Velho Mundo. Para poder produzir uma dica de qualidade ao debate, é importante ressaltar que Araxá não faz parte da Europa, a arquitetura das cidades do Brasil não é a mesma de lá, e a história de nossas edificações não conta com mais de 200 anos.Sim, eu sei disso, e ressalto aqui este fato.Por último:não sou um craque da história como o Tancredo e assim transformo esta coluna simplesmente num pitaco. Assim, vamos lá.

Quando você passa muito tempo passeando pelas cidades de um país só, como a Inglaterra, consegue enxergar uma coisa.A arquitetura para eles é uma deusa.A ser preservada. A ser eternizada. Se você alia a isso o interesse comercial das empresas que desejam realizar negócios em sua cidade, tem-se o segredo de como conseguir gerar renda e manter a cidade linda, com sua história intacta. Parece que eles escolhem a dedo:vamos achar determinada rua, bastante ampla nos lados e longa.Vamos fechar este espaço para os carros e pronto.Milhares de pessoas aparecem e deixam suas libras depositadas.As ruas têm movimento contínuo. O comércio tem a ousadia de fechar suas portas ás 17:00, mas mesmo assim, o movimento continua nos pubs, cinemas, restaurantes, teatros, enfim, ferve.

O projeto de revitalização arquitetônica do Gustavo Penna, de primeira vista, contempla isso.Quando fixamos nossos olhos nele e imaginamos uma das cidades inglesas e seus modelos bem-sucedidos onde carros não passam pelas ruas, acredito que temos o modelo perfeito.

A Avenida Antonio Carlos e a Boa Vista não deveriam ter espaços para carros transitarem. Eu falo nisso pensando exatamente no público mais importante desta equação:os lojistas.Sem eles, teríamos um centro fantasma.Um país como a Inglaterra, que nos trouxe a Revolução Industrial, certamente gosta de dinheiro, de lucro.Um amigo meu que mora em Londres sempre diz: “o inglês não deixa passar a chance de ganhar dinheiro em nada.Tendo uma chance de lucro, ele aproveita.”

Escrevo estas linhas pensando em você lojista, e cito seu nome mais de uma vez aqui, pois se isto fosse uma eleição, seu voto seria o fator decisivo na campanha. Tenha certeza de que a logística não esquecerá de vocês.Tenha certeza de que públicos de todos os bairros de nossa cidade e de todo o mundo, virão prestigiar e deixar seus reais aqui. A vontade turística de nossa cidade certamente é a maior da região. Um centro revitalizado, como propõe este projeto, trará muitos lucros para nossa terrinha, não tenham dúvida.E esse projeto Jardim das Esculturas, hein? Que idéia fantástica.Toda cidade conhecedora do que consegue atrair um turista sabe que pontes maravilhosas, esculturas gigantes ( de nióbio então, melhor ainda)e obras de artistas renomados garantem um espaço sagrado nos guias turísticos e na agenda dos turistas.

Garantindo que a Antônio Carlos e a Olegário Maciel sejam espaços exclusivos para turistas, sem espaços para carros (ou espaços mínimos), teremos algo que nenhuma cidade da região tem: um super espaço ao ar livre, em plena região central, para os turistas gastarem horas e horas.Uma opção muito mais bonita que um Shopping Center e que garantirá público para os dois conviverem em harmonia, quando este tipo de negócio conseguir achar espaço ( e seu tempo certo) na cidade para ser iniciado.

quinta-feira, outubro 28, 2010

LP solitário procura


A família do Ju Metal estava se mudando para uma nova casa, na Riviera do Lago.O centro de Araxá estava insuportável para o seu pai. Quarenta e dois carros passando em sua rua a cada dez minutos, este foi o último registro antes da explosão de nervos paterna que havia causado a mudança de casa. Cada integrante da família recebeu uma tarefa a fazer, para que a mudança pudesse se processar em apenas um dia. Como Ju Metal, do alto de seus dezenove anos mais seis meses de faculdade, era muito ligado em música, sua tarefa foi juntar tudo que fosse relacionado a música nas caixas de papelão esperando por ele.
Das suas mexidas, surgiram um mini teclado branco da Casio, uma flauta quebrada, cinco radinhos de pilha nos mais diferentes estados de conservação, fruto da paixão de toda a família pelo futebol. Sua irmã mais velha, Lucinha, viu Ju Metal começando a querer pegar sua coleção de posters do Menudo, New Kids on the Block e outros, mas ainda não estava na hora de cortar o cordão umbilical com sua adolescência já meio distante. Esta parte ele deixou para ela encaixotar. Depois de uma gaitinha, alguns DVD´s de shows e um monte de CD´s de todos os tipos, Ju Metal se deparou com uma capa de CD gigante. Com um cara vestido de duende, em um jardim, cercado de duendes mesmo, de verdade, das histórias de ficção. Lá dentro estava o tal, o cd diferentão, como ele nunca havia visto antes na história desta vida dele. Mas não era bem um CD. Era maior. Preto com um buraco no meio. O tal do disco devia ser de um tal de George Harrison, esse era o nome na capa. Foi perguntar ao pai dele o que era aquilo.
Depois de receber uma comovida explicação sobre esta obra-prima musical, que quase foi marcada por lágrimas de seu pai que quase caíram, Ju Metal entendeu o valor da coisa. Um único problema: junto desta informação, também recebeu a informação de que não havia mais em casa uma “vitrola” para tocar este disco. E depois de um breve sentimentalismo, seu pai o deixou sozinho de novo.
Quando Ju Metal me contou esta história para que eu a escrevesse aqui, fez questão de ressaltar este momento como o mais importante. Ele me pediu para que eu colocasse em negrito, em itálico, em “CAPS LOCK”, em todas as cores do arco-íris, que eu entrasse nesta história, mas que não deixasse de destacar o mais importante: que o LP, provavelmente tendo criado vontade própria depois de anos empoeirado e largado, quase carregou Ju Metal pela cidade de Araxá, em busca de uma vitrola para ser tocado.
A primeira parada foi na casa de seu primo Rafa. A família toda muito moderna, cada um com seu toca-MP3 na mão, TV de led no centro do entretenimento da casa (ou “entreterimento”, como diziam erroneamente cinco colegas seus).Sua impressão se confirmou, e o LP até pareceu ficar mais frio em sua mão. A tecnologia engolia os aparelhos antigos no máximo a cada 3 anos. Para não guardarem velharias, deixavam tudo em frente de casa, para algum passante sortudo pegar. Ju Metal agradeceu e junto do LP Solitário, foi para a segunda parada em busca da desejada vitrola.
Chegaram na casa do Digê, amigo das antigas de seu pai. Dono de uma coleção com mais de trinta mil “bolachas”, iguaizinhas ao seu LP Solitário. Depois de uma calorosa recepção e uma prosa introdutória de vinte minutos sobre algumas das histórias dos discos, Digê chegou com uma informação completamente inesperada:sua vitrola estava no conserto desde o ano passado. Uma tristeza na vida do Digê, que alimentava muitas amizades na base da cervejinha e castanha de caju no fim de tarde, mas que sem a presença da vitrola, era como as casas de noveleiras sem televisão.
Depois das despedidas, quase não acreditando no seu infortúnio, Ju Metal foi para o Barreiro dar umas corridas no Lago Norte. Quatro voltas depois, descansando no banco em frente de seu carro e olhando as águas do lago, por um segundo pensou em mandar a bolacha para um passeio. Sentiu uma cutucada nas costas. Era Ed Motta, muito gordo, cansado depois de cem metros de caminhada, da lojinha que vendia doces até o banco onde Ju Metal estava sentado.
Aconchegou-se, abriu sua vitrola ano 2010 cor de verde água e pediu o LP Solitário para Ju Metal.Escutaram o LP por algumas horas, acompanhados de um bom vinho. George Harrison se eternizou ainda mais.

domingo, outubro 24, 2010

Extrato Parlamentar

Na hora de escolher um candidato a presidente, tenho o perfil exato da pessoa que quero para comandar o nosso país. Apesar de ser uma tarefa das mais ingratas ficar no topo do comando de uma teia tão grande de escândalos políticos,as características certas são fundamentais na hora de comandar o nosso país.As nossas vergonhas nacionais políticas não escolhem partido. Nós, eleitores, não escolhemos o futuro dos políticos nos quais votamos.Só escolhemos o passado e o presente. Pois assim, nossos erros na hora de votar precisam esperar mais quatro anos pelo menos para serem “melhorados” por futuros acertos na hora de votar. Muito difícil saber se iremos acertar.
Por isso, eu venho na coluna de hoje tirar o chapéu para meu amigo Rafa Lamardo e o espetacular site que ele criou, chamado Extrato Parlamentar. Sugiro que cada um de nós possa fazer uso desta incrível ferramenta em prol da democracia, como o slogan do site já diz logo no começo. O Extrato Parlamentar serve principalmente para ajudar-nos na escolha do nosso candidato a deputado federal. No meio do caminho, pode ajudar também na escolha de governadores, senadores ou outros cargos, mas o principal é para deputado federal. Funciona da seguinte maneira:você entra no site, escolhe o Estado que deseja pesquisar. Depois você diz se deseja pesquisar por políticos ou por partidos. Em seguida, diz a sua opinião, se a favor ou contra, em relação a 12 projetos já votados no Congresso. Com estas informações, o site te diz qual o seu grau de afinidade com cada um dos parlamentares e suas votações. Obviamente, nem todos os candidatos a deputado federal estão nesta ferramenta, pois nem todos estão tentando a reeleição. Tem os novatos também. Para conhecer os novatos, você precisa de outras soluções. Mas caso você esteja com intenção de votar em alguém que esteja buscando a reeleição, esta ferramenta é uma das idéias mais inteligentes e que mais ajudaram a democracia até hoje. É uma certeza que você tem de votar somente em alguém com quem tenha afinidade.
Vamos a um exemplo prático. Uma das perguntas que você tem que responder é se você é favorável ou contrário ao aumento do número de vereadores nas Câmaras Municipais. Existem apenas duas opções de voto, a favor ou contra.Se tivesse a opção “muito contra”, teria sido esta a minha opção.Pois para a minha surpresa, nenhum,repito, nenhum deputado federal de Minas Gerais votou contra. Do Rio de Janeiro, foram cinco.Considero um número baixo, mesmo assim, mas já é alguma coisa. Você poderia pensar que um estado e suas cidades precisa de mais vereadores que outros. Eu acredito que o número de vereadores já está no limite dos limites.Poderia até ser menos gente lá. Ou até aumentar o número de vereadores, mas cortar pela metade os seus salários. Abro meu e-mail para os candidatos a deputado federal que quiserem comentar a respeito.
Continuei descobrindo o site “Extrato Parlamentar” e descobri que o político, no Brasil todo, com quem tenho mais afinidade, é do PSB, de Pernambuco. Tenho 100% de afinidade com as votações dele no Congresso.Não o conhecia, vou pesquisar mais, apesar de não votar em seu estado. Isso foi uma grande surpresa, mostrando que em política, muitas vezes valem mais as pessoas que os partidos.
Confesso que meu voto não se definirá completamente em razão das minhas descobertas neste belo site. Sei também que apenas 7% da população brasileira de eleitores acompanha a eleição pela Internet. ( dados de 2010) Mas uma certeza eu tenho: muitos votos iriam mudar de destino se todos os brasileiros tivessem acesso a esta ferramenta chamada Extrato Parlamentar.Quem sabe um dia. Democracia, feita a todo o vapor, consiste fortemente em conhecermos a fundo os candidatos em quem desejamos votar. Para isso uma frase muito popular, mas nunca inútil:para realizar algo, é preciso antes de tudo sonhar. Eu sonho com um país melhor, com políticos mais corretos, mesmo com tanta notícia ruim. A notícia boa é o site Extrato Parlamentar. Boa e imparcial.