sexta-feira, julho 20, 2007

No fundo da Lagoa do Barreiro-6

Dora. Com dor no meio do nome. Apesar de sua trajetória de vida exaustiva, Maria Auxiliadora, a sereia número 4, é das mais bem-humoradas da mansão jacintiana. Quando Olavo chegou na porta de seu quarto para conhecê-la, Dora ativou sua surpresa: um jato contínuo de lama, que demorou 30 segundos. Olavo já se preparava para soltar uma expressão não tão educada, quando Dora o convidou para juntar-se a ela em sua jacuzzi de lama, um presente que Ana Jacinta havia mandado fazer para Dora por bons serviços aquáticos prestados. A dona da mansão havia contratado o renomado arquiteto Luca Maestrelli, para tal serviço. Maestrelli habitava o Fundo da Lagoa do Barreiro desde quando decidiu-se pelo final de sua vida. Era a época da construção do Grande Hotel. Maestrelli havia errado na construção da piscina emanatória, ao ajudar seu guru Luís. Por isso mesmo não entrou para os anais da história arquitetônica do hotel. Ao invés de seu pulo na Lagoa ter sido finalizado com uma morte, Ana Jacinta salvou-o, colocando-o em uma casa que ela havia construído em separado, para hóspedes que precisavam de mais privacidade. Idéia que ela abandonou com o tempo, já que sua mansão passou a oferecer muitas possibilidades aos freqüentadores.
D
ora, a sereia número 4, habita seu quarto localizado logo abaixo da área de pescaria do Grande Hotel. Um local de muito trânsito, muita lama, onde ela sabe como poucas sereias pescar a atenção das pessoas. Olavo, após o banho de lama, entendeu o espírito brincalhão de Dora, e logo virou “ habituê” do local. Sempre levando a tiracolo sua “caipirosa”, feita de limão, vodka e água sulfurosa, e compartilhando o quarto com muitos outros freqüentadores, atraídos pelo bom-humor da quarta anfitriã.

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