quarta-feira, julho 19, 2006

Buscando a máquina fotográfica digital do ano

Cinquenta e tantos quilômetros rodados e Gui Jones foi sentir falta de sua máquina fotográfica digital do ano, com trocentos pixels e centenas de reais de valor sentido no bolso. O problema era o horário avançado. Cinco e meia da tarde. Gui Jones não viaja à noite. Pediu à sua trupe no carro ( três pessoas) pra vasculhar tudo em busca do ouro perdido. Nada. Apenas alguns telefones de filiais das lojas do shopping de Uber-Land onde foi, mas nenhuma filial era do próprio shopping. Não importava. Ligou para as tais filiais em outras cidades, conseguiu alguns telefones. Nada. Sobrou apenas uma loja, que não tinha telefone na sacola.
Devido ao alto valor da máquina fotográfica digital do ano, Gui Jones e sua trupe voltaram para Uber-Land. Foram direto para a primeira loja onde Gui havia feito uma piadinha com a atendente, sobre sua nada confiável memória. A atendente havia ofertado o espacinho atrás do balcão para colocar suas diversas sacolas de livros e roupas, mas Gui inicialmente recusara, só aceitando depois e explicando mais uma vez seu problema memorial. Por estas arrumações do destino, em sua primeira tacada acertou. Esquecera sua máquina fotográfica lá, na loja sem telefone na sacola. Não no espacinho atrás do balcão, mas pendurada no trocador que utilizara para escolher duas camisetas cujo preço total foi de algumas centenas a menos que o preço da máquina fotográfica digital do ano. Agradecimentos feitos, elogios á honestidade do local, Gui Jones e sua trupe partiram. Não pra seguir viagem, já era tarde, mas para a segunda parte deste mini-conto-blog: a busca por um hotel com preço baixo, só pra passar uma noite.
A maioria destes hotéis modernos não têm muita agilidade para a negociação, é aquele preço e pronto. Falta gerência ativa no local, talvez diriam os consultores-gurus-que-ganham-fortunas-em-palestras-prontas. Só esquecem que o cliente também fixa um preço na sua cabeça e pronto. Desta forma, o primeiro hotel que finalmente mostrou aquela simpatia estampada na cara, e uma possibilidade de negociação já que o gerente deles certamente era um gerente-ativo, conseguiu a nossa aprovação. Preço que queríamos, bom atendimento. Pra que mais?
Bom, um confortozinho não faz mal. Uma TV a cabo no dia que está passando mais um capítulo inédito de " Lost" na TV fechada caiu muito bem. Para os que lerem este mini-conto blog daqui a alguns anos ou décadas, " Lost" foi um seriado de muito sucesso mundial, em várias mídias ao mesmo tempo: TV, Internet, revistas, jornais. Como pré-jantar então, foi um belo aperitivo. Acabado o episódio, faltando alguns minutos para o encerramento das atividades culinárias do hotel no dia, lá fomos nós buscar o restaurante. Quarto andar, disse Clenivaldo. O Baiano como ele prefere. O moço da recepção, para memórias fracas como a de Gui Jones. Deveria ser uma tarefa simples para hotéis simples. Mas no Uber-Land Super Mágico Hotel, nada é igual aos outros engessados hotéis. A experiência precisa ser diferente, "encantar o cliente é nossa missão". Lá foi então a trupe de Gui Jones para o jantar no quarto andar. Pegaram o elevador. Olharam para os botões. Não havia um para o quarto andar. O último era o terceiro. Tudo bem. Mágica.
A chegada ao terceiro andar foi tranquila. Dez segundos para todo o processo. Ao sair do elevador, Gui Jones olhou para o canto superior direito da parede do corredor, uma placa indicativa. A seta indicando o restaurante do quarto andar não indicava exatamente a escada. Se fizessem o que a seta pedia, a janela era o destino. Como Gui Jones não acreditou se tratar de um hotel suicida, subiram a escada. Pareceu a chegada ao melhor e mais famoso parque de diversões do mundo, mas ao invés do castelo lá estava no final do corredor o famoso Restaurante do Quarto Andar. Três pratos executivos para quatro pessoas depois ( um da trupe, o Neném de Um Ano, come menos) , e o miniconto-blog chega ao fim. A viagem só terminaria no dia seguinte, junto com o resto do dinheiro.
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