segunda-feira, novembro 27, 2006

Escrevo

Escrevo com a televisão desligada e a mente ligada
Com a torneira fechada pra não sair a água do futuro
Água de beber ao lado, pois suco traz formigas
Elas entram nos bytes, e dão mordidas neles
Que trazem apagões na hora que não salvamos

Escrevo cercado de livros e cd´s, virgens ainda
Ou trazendo coleções de artistas encontrados
As teclas estão cercadas de sons, e poeira
A letra "e" às vezes falha, é esbofeteada, nada
Volta com calma, e me permite escrever "elegância "

Escrevo sem saber a próxima palavra, estrada
Ás vezes de terra, ou asfaltada, mas sem placas
Ruas que encontram povoados, onde estão todos
Os velhos, os cegos, os preguiçosos ou coloridos
Pessoas reinando no meu inconsciente até surgirem

Escrevo por motivos diferentes dos de amanhã
Aquecendo como lã ou esfriando como raspadinha
Sigo uma linha que se torna uma curva em segundos
Por motivos profundos ou distrações momentâneas
E se consigo afetar as subcutâneas sensibilidades

Escrevo pois te imagino lendo com um sorriso
Quem sabe um dia horroroso se pinta de amor
Assim que retribuo por conversas inspirantes
Mas entendo o silêncio, se dele não ausencio
Parto como navio, mas volto com palavras
Postar um comentário