domingo, dezembro 10, 2006

Um poema da Nadja Soll

Hoje pela primeira vez publicarei algo que não é de minha autoria.
Uma amiga minha que conheci nas blogagens da vida, quando parou de manter um blog do qual eu gostava muito, me deixou com um vazio. Como eu teria acesso aos poemas tão belas que escrevia?
Então eu pedi, mais de uma vez, que ela me enviasse novos escritos que ela produzisse.
Este a seguir, é o primeiro, um belo poema, com a cara deste dia de hoje: chuvoso, domingueiro, negro, mas belo, muito belo.


Queixas
( Nadja Soll)
Hoje, então, percebi:
Perdi-me como fio de novelo,
Enroscada em nós dos teus cabelos,
Em busca de sonhos, envelheci.
Marquei no calendário o tempo...
As horas lentas, melancólicas,
O barulho das rajadas eólicas,
Trouxeram a dor e o sofrimento.
Estive chovendo sobre mim mesma.
Fiz noite dos meus dias iluminados,
Dormi o sono dos desesperados,
Cobri-me com o roxo da quaresma.
Deixei escapar por entre os dedos
A felicidade que vinha em gotas,
O prazer dividido em pequenas cotas,
Porque queria mais que simples medos.
Mas a ilusão é uma nobre senhora...
Chega sorrateira antes que o dia,
Acomoda-se e, sem cerimônia,
Instala-se leviana, no compasso da hora.
Assim, rogo a Deus que passe depressa o dia
E leve consigo essa amarga memória.
Pois se apenas tu conheces essa história,
Perde-se a razão de ser dessa melancolia.

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