sexta-feira, janeiro 05, 2007

Em dobro


Bate a porta, passa a chave
Tranca, volta, confere de novo
Coloca sal na comida, antes de comida
Depois, durante e parece uma só
Salgada, mama, salgada
Dá um nó, aperta, outro laço
Cumprimenta, chama pelo nome
Dá meia volta e pergunta como se chama
Dá meia volta e pergunta como se chama
O mesmo de segundos antes, falante
Tem cara de outro nome, mas memória lá
Conta a história pra mesma pessoa
Até a vírgula comparece
No mesmo local
O livro na estante
Nem por um instante
Muda uma consoante
O dono da livraria reconhece
Aquele que sempre esquece
Prolixo, pro lixo
Mas nas sombras daqueles que passam
Por mais piadas que façam
Salgadas, mama, salgadas
Nunca reconhecem
O terrível assombro
Do erro de existir
Sempre em dobro

Onde almocei hoje?

* Foto de Luana Missagia
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