quarta-feira, outubro 03, 2007

Pensando Campeonatos


É até engraçado escrever sobre isso, mas fato é que o Campeonato Brasileiro por pontos corridos foi defendido com todas as forças por brasileiros de qualquer idade. Ficaria igual aos campeonatos nacionais europeus, que são os de maior sucesso de público e mídia, é o que dizíamos em esmagadora maioria. Confiram uma pergunta que o usuário de apelido " Humilde" colocou no Yahoo! Respostas sobre o tema.
Eu arriscaria dizer até que o Brasileiro por pontos corridos tem a preferência de muitos por termos um medo danado de voltar ao sistema antigo de " mata-mata", e voltarmos á bagunça nos critérios, de confundir a cabeça do povo com fórmulas difíceis de entender. Algo como " o vencedor do Grupo Verde pega o 3o. do Grupo Vermelho", e no ano seguinte muda para " o time com mais vitórias em casa pega o 8o. com mais vitórias em casa".
Agora vamos á prática. Coletei dados sobre média de público dos últimos 12 Brasileiros, no fantástico site Bola na Rede. Os últimos 4 foram de pontos corridos. Se você somar as médias de públicos, veja o que acontece:

Soma das Médias de Público 2003-2006 ( Era dos pontos corridos ): 43954
Soma das Médias de Público 1999-2002 ( período imediatamente anterior): 52851
Soma das Médias de Público 1995-1998: 45229
Soma das médias de Público 1991-1994: 51710

Vejam que a média de público dos pontos corridos é a pior dos 4 períodos de 4 anos analisados.
Podemos então acreditar que o brasileiro prefere o sistema " mata-mata", pois a situação econômica do Brasil destes últimos 4 anos evoluiu em relação aos períodos anteriores, principalmente nas classes B e C, que são a grande parcela frequentadora de estádios, creio ( não pesquisei isso desta vez), mas a parcela que vai aos estádios diminuiu. Ou seja, o brasileiro tem mais dinheiro no bolso e vai menos ao estádio. Entendeu? Não? Nem eu.
Agora analisemos os públicos dos últimos campeonatos entre clubes no mundo todo, de todos os esportes, que adotam sistema de pontos corridos ou de mata-mata. Vamos fazer um ranking, pra visualizar melhor ( fonte e inspiração é a Wikipédia, claro):

1) NFL 2006, de futebol americano: 67.738 pagantes, em média
Categoria: Mata-Mata
2) Campeonato Mundial de Clubes da FIFA 2006: 43.163 pagantes em média
Categoria: Mata-Mata
3) UEFA Champions League 2007: 39645 pagantes, em média
Categoria: Mata-Mata
4) Bundesliga 2006, ou alemão de futebol:37644 pagantes, em média
Categoria: Pontos corridos
5) AFL 2007, de futebol australiano, uma variação do rugby :36.791 pagantes, em média
Categoria:Mata-Mata

Ou seja, 4 dos 5 campeonatos de maior público, em qualquer esporte, no mundo inteiro, são no sistema mata-mata.
Pensando assim, o sistema mata-mata atraindo mais gente são os que mais geram faturamento, certo?
Quase. A NBA está apenas em 17o. lugar neste ranking, em termos de média de público.
Mas seu contrato atual de TV com a rede TNT gerou a ela a bagatela de 2.2 bilhões de dólares.

Uma das grandes razões para isso é: você já viu americanos saindo em massa para disputarem campeonatos europeus de basquete?
Não, a NBA assegura os melhores jogadores de basquete do mundo, e é o sonho de qualquer aspirante a atleta profissional de basquete.
O Brasil não é o país do futebol? Pois certamente deveria ser a NBA do futebol.
É para cá que os jogadores da Europa deveriam querer vir, para aprenderem a ginga.
O que acontece hoje é uma exportação em massa de nossos craques, e uma valorização cada vez maior por aqui dos Campeonatos Europeus de clubes, a ponto do Barcelona já ser um queridinho nas pesquisas sobre quem torce pra que time aqui.

Resumo da ópera:

1) Campeonato mata-mata, com quartas-de final, semifinal e final, em séries melhor de 3 jogos cada. O mundo confirma isso nas maiores médias de público do planeta.
2) A CBF poderia reservar uma cota dos amistosos da seleção ( hahaha!) para bancar estrelas do futebol mundial aqui no Brasil. Já imaginaram? Henry jogando no Galo, Cristiano Ronaldo no São Paulo, Messi no Grêmio, só pra começar, afinal é muita grana. Com o tempo, o campeonato brasileiro de futebol sendo vendido para TV´s de outros países pagaria esse investimento.
3) Cada clube com um estádio moderno, vendendo pacote de ingresso pra temporada antes dela começar. E caprichar bem mais no marketing, grande segredo dos grandes campeonatos.
4) Cada clube brasileiro só pode vender 1 jogador de seu clube por ano ao exterior.

Com isso, teríamos sim um grande Campeonato Brasileiro de clubes.
E ele só começa com um sonho destes.
É o que penso hoje sobre campeonatos.


* Foto de Mineiras, Uai!

segunda-feira, setembro 24, 2007

Pensando cidades


Li hoje uma reportagem no Estado de Minas que me fez voltar a escrever sobre o tema " cidades", como já havia feito aqui no começo do ano, em notícia que só existe nesse blog.
desta vez o tema é real, e acontece em meu querido Estado, Minas Gerais.
371 dos municípios com menos de 170 mil habitantes perderam moradores.
Esta é uma notícia boa? Ruim?
Certamente para os prefeitos destas cidades deve ser uma notícia ruim.
Para a maioria deles.
Mas se a reportagem fosse mais ampla, queria saber se existe alguma cidadezinha destas que perderam habitantes que tenha ficado mais charmosa e com mais renda.
Pois não creio que qualidade de vida tenha a ver com tamanho da população.
Eu sou de Araxá, cidade que cresceu de 78 mil para 87 mil habitantes, nestes últimos 7 anos.
A maioria das pessoas comemora. Talvez por estar perto de Uberaba e Uberlândia, fica aquela vontade de ser também um grande centro urbano.
Eu comemoro, mas por termos evoluído em qualidade de vida, com o grande prefeito que temos por aqui, vencedor de prêmios nacionais de aministração pública ( não sou envolvido com prefeitura).
Mas o que me fez voltar a escrever é a belíssima impressão que tive de Alemanha e Austrália.
O que vale em um país, creio eu, é você poder pegar seu carro, ir passeando, e de repente, depara-se com cada cidade mais bonita e charmosa que a anterior.
Aí puxo para o 1o. Festival de Gastronomia de Araxá e Jazz Festival 2007.
Perfeito, deve ser o primeiro de vários, já que o próximo está marcado para Maio de 2008.
Tiradentes já sedia um festival como este há 10 anos.
Tem apenas 6 mil habitantes em sua cidade, uma das mais charmosas do mundo.
Por isso, chego á conclusão por ora que deveríamos ter um censo também de quantos cinemas temos em MG, quantos festivais de gastronomia e cultura, quantas estradas charmosas, quantos circuitos e tal.
Divulgar isso com alarde na mídia, sempre.
Com isso, quem sabe, não só Minas Gerais, mas o Brasil inteiro, possam frequentar a pesquisa da Reader´s Digest dos países e cidades com mais qualidade de vida no mundo, num ranking melhor. Hoje, o Brasil é o quadragésimo.
Minha cidade é uma delícia, mas é sempre preciso melhorar.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Videogames e raves

Videogames durante o dia
Raves durante a noite
Ou o contrário
Só não se sabe o horário
De soltar o parafuso
De prender a atenção
De comer um mini-lanche
De sorrir em avalanche

Videogames têm heróis
Raves heroínas
Coloridas em neon
Sem som, um só não é
Picolés a M&M´s
Snacks e energéticos
Dos acesos ao céticos
O tempo não passa

quinta-feira, setembro 13, 2007

Me rendi aos alfajores Havanna


Sou um chocólatra destes que esbanjavam os alfajores por não serem chocolate, apenas meros alfajores com algumas partes de chocolates em alguns.
Pois a paixão de minha esposa pelos alfajores da marca Havanna mudaram totalmente meu conceito.
Que absurdo ficar tanto tempo com este preconceito. Quantas vezes passei em frente a algum alfajor Havanna sem ao menos ter uma mínima atenção por eles atraída.
Pois tudo mudou graças á bondade quase tardia de meus neurônios, que se organizaram para finalmente jogar este tabu no chão. Enfim provei o famoso alfajor Havanna.
Sabe o que acontece quando provamos um: ele se solta na boca.
É muito suave.
Até hoje, nunca tinha visto um pretendente a chocolate tão bem-sucedido.
Buenos Aires, aguarde minha volta.
Serão bem menos alfajores Havanna expostos nas vitrines.
Terão destino certo.

domingo, setembro 09, 2007

No fundo da Lagoa do Barreiro-9

A sereia número 9 já está na casa dos quarenta anos, apesar de nunca revelar a idade. Mantém sua beleza ruiva com muita lama, banhos de algas da Lagoa e muita atenção á sua vaidade. Ludmila passa esta vaidade ao seu quarto, sempre impecável. Foi assim que Olavo o encontrou quando foi conhecer Ludmila.
Passada uma semana na mansão, Olavo já passou a cultivar alguns hábitos típicos de moradores de fundos de lagoas. Um deles por exemplo é passar um dia inteiro no quarto conversando com uma sereia sem se preocupar com o tempo. Neste dia, Olavo esbaldou-se com os casos vaidosos de Ludmila. Ana Jacinta passou também o dia inteiro no quarto. Olavo já mantinha com a dona da mansão uma relação mais amistosa, passada a raiva do seqüestro-relâmpago-aquático.
Enquanto isso, do lado de fora da Lagoa, o detetive Élvio tornava-se a mais nova estrela das buscas. Travando um serviço particular, ele tornou-se uma peça fundamental nas buscas, motivado pelo prêmio da polícia local de dez mil reais, caso uma pista concreta levasse á solução do caso.
Élvio passou a ser uma figurinha repetida no local. Conseguiu permissão dos arrendadores do hotel para montar uma barraca verde, da cor das árvores, no meio delas. Por essa razão, alguns atletas de esportes de aventuras que passam constantemente pelo local o apelidaram de “ Elvinho Camaleão”, tantas as vezes que sua barraca foi confundida com o verde da atmosfera local.
O mais novo detetive a adentrar no “ Mistério Olavo” tinha conseguido uma pista muito importante, pelo menos segundo ele: um copinho destes de tomar água sulfurosa com as impressões digitais de Olavo. Ao conversar com Cordélia, ela havia confessado ao sagaz detetive que Olavo nunca havia bebido água sulfurosa naquele copinho antes.Pelo menos com ela.
Pelo menos em sua estada acima do nível da Lagoa do Barreiro...

quinta-feira, setembro 06, 2007

Dupla Melosa adocica os EUA

Que o tênis brasileiro não capitalizou sobre as grandes conquistas de Guga Kuerten, isso ninguém tem dúvida. Mas desde o surgimento do grande Manezinho da Ilha que eu não tinha uma felicidade tão grande com o tênis brasileiro.
Sem parecer com o Jô Soares...mas quando eu era 3o. do ranking mineiro de tênis, vi o surgimento do André Sá. Ele era um menino muito mais sério e compenetrado que os outros bagunceiros da época, como Pedro Braga, Marcos Leite ( Muca) e eu, por exemplo. Mas foi o que se destacou na ATP.
Agora, em homenagem a este ínfimo vínculo que tenho com ele, presto minhas homenagens á Dupla Melosa. Melo + Sá=Melosa.
Adocicaram Wimbledon e agora New York.
Ficamos agora na torcida para eles adocicarem os austríacos, e ajudarem a levar o Brasil ao Grupo Mundial da Copa Davis.

Adocica, Dupla Melosa, adocica!

terça-feira, setembro 04, 2007

Ao som de Ponto de Vista-Emerson Alecrim

Dependendo de nossos compromissos, viagens, esquecimento, sumimos de alguns lugares.
Eu sumi deste meu querido lugar aqui, a ponto de perder o Blog Day 2007.
Mas não perco a chance de homenagear os queridos amigos, que passa ano entra ano estão sempre lembrando da gente.
Portanto, ao som de Ponto de Vista, um blog de Emerson Alecrim, venho agradecer a este amigo pelas bonitas palavras escritas a respeito deste espaço aqui, e pela indicação em seu espaço no Blog Day 2007.
Pretendo então manter-me fiel á minha inspiração, para situar-me á altura do gosto dos amigos.
Pois com sinceridade artística, mantemos uma paz interior.
Bom, isso se você não for um escritor maluco ganhador de prêmios por sua escrita que no final da vida vai parar em uma ilha querendo rasgar tudo o que escreveu, né?
Acho que desse mal não irei padecer, pois não sei se algum dia aparecerei em forma de livro...

até as próximas, poemas, beijos, abraços a todos,

Fred

quinta-feira, agosto 23, 2007

Novo blog

Caros amigos,

Confiram meu novo blog, o " NONImades Peregrinos", onde começarei a contar detalhes sobre meu dia-a-dia divulgando a Tahitian Noni.
O blog começou ontem, para relatar nossa viagem para Buenos Aires, que ganhamos por termos qualificado em um nível da empresa. Nestes próximos dias, enviarei diariamente textos, fotos e até vídeos, creio.
Espero a visita de todos.
O endereço é http://nonimades.blogspot.com

abraços, carinhos, poemas,

Fred

quinta-feira, agosto 16, 2007

Se eu fosse...

Se eu fosse garçom, serviria primeiro aos pobres. Se eu fosse jogador de futebol, conservaria intacta a canela de meu companheiro de profissão. Se eu fosse advogado, pediria encarecidamente para ladrões cientes de suas falcatruas procurarem por outro colega. Se eu fosse muito porco, procuraria me sujar de coisas sem agrotóxicos pelo menos.

Se eu fosse um veterinário, pesquisaria por anos até achar vacinas orais, sem usar seringas. O mesmo para “ se eu fosse” anestesista, enfermeiro ou aplicador de seringas em geral.Pensando bem, para drogas não. Mas se eu fosse drogado...hum, bem, não consigo pensar nesta hipótese ridícula. Talvez quem sabe procurar não ofender tanto meus familiares.

Se eu fosse adolescente de novo depois de ser adulto, certamente teria um pouco menos de razão em tudo.

Se eu fosse preconceituoso, procuraria acabar logo com esta enfermidade. Para isso, deveria estar sempre com a alma aberta, não somente os ouvidos.

Se eu fosse muito rico, doaria muito dinheiro. Se eu fosse muito pobre, não aceitaria muito as doações, procuraria antes aprender como desempobrecer.

Se eu fosse dona-de-casa, procuraria ler menos revistas de fofocas e mais revistas de anedotas. Só pra rimar fofocas com anedotas. Rima meio estranha, mas tudo bem, faz parte do show.

Se eu fosse piloto de avião, juro que não voaria no Brasil enquanto não resolvessem a tal da crise aérea. Poderia até ficar desempregado, mas daria um jeito. Só não rodaria a bolsinha. Mas se eu fosse prostituta, mandaria as clientes tomarem banho antes.Claro, eu seria uma prostituta lésbica e só para mulheres.

Se eu fosse presidente do Brasil, eu eliminaria em meu primeiro dia algumas centenas de cargos de confiança. Nos outros dias, outras centenas.

Mas como não sou nada disso, e sou apenas eu, procuro ser sempre melhor do que no momento anterior. Se eu errar, já peço desculpas. Se eu acertar, ficarei lisonjeado com seu elogio ( elogie). Mas ainda não sei exatamente como reagir após eles. Deve ser o tal do amadurecimento constante. Ainda não amadureci o suficiente para tanto. Que eu amadureça sempre enquanto dure por aqui. E que eu dure nesta vida muito mais que meus pais. E menos que meus filhos.

domingo, agosto 12, 2007

No fundo da Lagoa do Barreiro-8

Depois de quatro caipirosas no quarto de Dora, Olavo resolveu conhecer o quarto vizinho. Nele estavam as irmãs trigêmeas Clara, Luna e Sarah, as sereias 6,7 e 8. Elas foram descobertas por Ana Jacinta ao realizarem um sonho de criança de nadarem na Lagoa do Barreiro sozinhas depois de uma festa.
No dia, as três horas da manhã relatavam apenas quatro pessoas na Lagoa: as trigêmeas e Ana Jacinta, que surgiu de repente no meio do nado das irmãs. Refeitas do susto, tascou Ana Jacinta:
- Que tal conhecerem minha mansão? Fica a alguns metros de nado. Vou emprestar-lhes uns tucanáticos que tenho, um aparelho que lhes permite 24 horas de autonomia de nado. Mas vocês não precisarão nem de dez minutos.
As trigêmeas, não se sabe se pelo susto de reconhecerem Ana Jacinta ou se tomadas pela onda de surpresas e realizações de sonhos da noite, toparam.
O nado foi rápido e logo elas estavam dentro da Mansão do Fundo da Lagoa do Barreiro, de onde nunca mais saíram. Nem por isso perderam o ar de sonho do dia do encontro com Ana Jacinta. E foi isso que Olavo presenciou ao conhecê-las.
“ Vocês servem caipirosas também, meninas?”, perguntou o mais novo morador da mansão.
“ Não, mas neste quarto aqui você vai poder conhecer um pouco mais do mundo encantado de Ana Jacinta.Venha.” Com esta ordem, as trigêmeas levaram Olavo a um dos caprichos mais interessantes que Ana Jacinta construiu em sua mansão. Ao abrir a porta dos fundos do quarto destas sereias, Olavo e todos os outros freqüentadores encontram de cara uma grande cachoeira, com o nome conhecido por muitos: Cascatinha. Uma cachoeira no meio de um quarto, povoada de luz imitando perfeitamente a natural, cercada de árvores, pedras e lama.
Não se sabe se por isso a Cascatinha do mundo exterior possui hoje tão pouca água. Mas o que não se pode negar é que Clara, Luna e Sarah souberam usar deste belo cenário para manter os sonhos que tinham lá no mundo de fora. Os delas e os dos outros.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Encantando o cliente

Em conversa com um amigo meu, excelente vendedor, ele me confessava da importância de não apenas realizar uma venda a um cliente. Era preciso também saber encantar o cliente. Perguntei a ele o que era preciso fazer então, ao menos no caso dele, para encantar o cliente. Ele me respondeu:

“ Ora, Fred, muito simples, depois de tratá-lo muito bem, explicar tudo sobre o produto a ele, na hora da conclusão da venda, eu chego o cliente num canto, ou seja, eu o ENCANTO, e digo: assina o cheque logo, diacho!!!”

segunda-feira, julho 30, 2007

Errata no Interação

Caros amigos,

Quero avisar pelo blog que o Jornal Interação tem uma errata na edição que saiu nesta sexta-feira, 29-7.
Ele traz o " No fundo da Lagoa do Barreiro-8", mas ao invés de estar na página 2 como de sempre, apareceu na página 2 de Turismo.
Achei importante para os amigos de Araxá dizer isso aqui, pois alguns poderiam achar que a coluna não foi publicada nesta semana.
Lembrando que o capítulo 7 acaba de ser postado por aqui, sempre com uma semana de atraso em relação ao Jornal Interação, que publica semanalmente a novela " No fundo da Lagoa do Barreiro", ao qual agradeço.

um abraço a todos,

Fred

No fundo da Lagoa do Barreiro-7

Rúbia começou a imprimir um nado acelerado. Saiu das dependências da mansão de Ana Jacinta. Passou por trás da antiga casa de hóspedes do lado de fora, deu meia-volta e foi no sentido da Piscina Emanatória. A sereia número 5 retirou a tampa cheia de lodo e continuou subindo. Chegou finalmente na piscina, que era seu passatempo favorito quando precisava espairecer. Porém, desta vez ela testemunhou uma cena intrigante. Estavam reunidas na piscina duas pessoas com uma conversa que chamou sua atenção.

“ Não creio que Olavo possa ser creditado como uma nova Dona Terezinha. Ainda acredito que acharemos seu corpo”, disse uma das pessoas.
“ Não tenho essa mesma expectativa. Já credito o caso Olavo como o segundo dentro de sumiços misteriosos de Araxá. E se você perceber, os dois desapareceram perto da água. Só pode ter uma ligação nisso aí”, disse a outra pessoa.
Rúbia, com estes dados todos penetrando seu ouvido, utilizou-se de seu nado forte novamente, e muito rapidamente voltou para a mansão em nado recorde de quatorze segundos, quebrando seu próprio recorde, já que ela era a única a habitar aquele local escondido.
Ao chegar na mansão, Rúbia relatou tudo que ouviu da conversa entre estas duas pessoas para Ana Jacinta. A dona da mansão e seus neurônios começou a formular um plano de contornar esta crise. Com algumas pílulas de lama para envolvidos no assunto, e o caso estaria um pouco mais abafado. Nada que tiraria da memória araxaense mais um caso de sumiço. Mas no momento, era importante tirar o foco da Lagoa. Ana Jacinta verificou, e Olavo estava no quarto de Dora, tomando mais uma caipirosa. No fundo da Lagoa do Barreiro, tudo na mais perfeita ordem.

domingo, julho 29, 2007

Pensando no esfomeado

O umbigo é o abrigo do resto do sujo do dia
O orgulhoso suicida pulando do alto de seu ego
O sujo acaba no nada de um canto sem encanto
O banho é necessário pois lava a alma sem sermão
O resultado da sociedade está no canto dos olhos
Não desperdice o sanduíche de sua lanchonete
Há uma boca o querendo

quarta-feira, julho 25, 2007

Origem da palavra fumê

A palavra fumê, segundo a minha opinião, tem sua origem na expressão " fui tirar uma meleca ".
Não existe, a meu ver, nenhuma outra possibilidade de origem desta palavra.
Percebam. A pessoa que coloca um vidro destes fica isenta de olhares mais atentos.
Sente-se segura e isolada do mundo. Já que ninguém está vendo, faz uma das atividades mais populares do mundo, e menos assumidas: a retirada de meleca do nariz.
Concorda? Na-não, não precisa concordar. Publicamente...

sexta-feira, julho 20, 2007

No fundo da Lagoa do Barreiro-6

Dora. Com dor no meio do nome. Apesar de sua trajetória de vida exaustiva, Maria Auxiliadora, a sereia número 4, é das mais bem-humoradas da mansão jacintiana. Quando Olavo chegou na porta de seu quarto para conhecê-la, Dora ativou sua surpresa: um jato contínuo de lama, que demorou 30 segundos. Olavo já se preparava para soltar uma expressão não tão educada, quando Dora o convidou para juntar-se a ela em sua jacuzzi de lama, um presente que Ana Jacinta havia mandado fazer para Dora por bons serviços aquáticos prestados. A dona da mansão havia contratado o renomado arquiteto Luca Maestrelli, para tal serviço. Maestrelli habitava o Fundo da Lagoa do Barreiro desde quando decidiu-se pelo final de sua vida. Era a época da construção do Grande Hotel. Maestrelli havia errado na construção da piscina emanatória, ao ajudar seu guru Luís. Por isso mesmo não entrou para os anais da história arquitetônica do hotel. Ao invés de seu pulo na Lagoa ter sido finalizado com uma morte, Ana Jacinta salvou-o, colocando-o em uma casa que ela havia construído em separado, para hóspedes que precisavam de mais privacidade. Idéia que ela abandonou com o tempo, já que sua mansão passou a oferecer muitas possibilidades aos freqüentadores.
D
ora, a sereia número 4, habita seu quarto localizado logo abaixo da área de pescaria do Grande Hotel. Um local de muito trânsito, muita lama, onde ela sabe como poucas sereias pescar a atenção das pessoas. Olavo, após o banho de lama, entendeu o espírito brincalhão de Dora, e logo virou “ habituê” do local. Sempre levando a tiracolo sua “caipirosa”, feita de limão, vodka e água sulfurosa, e compartilhando o quarto com muitos outros freqüentadores, atraídos pelo bom-humor da quarta anfitriã.

segunda-feira, julho 16, 2007

No fundo da Lagoa do Barreiro-5

A sereia número 3 estava dando uma limpeza geral em seu quarto quando Ana Jacinta chegou com Olavo. Para os leitores do mundo aqui de cima, seu quarto fica situado exatamente debaixo da ponte da “ ilha do amor”, da Lagoa do Barreiro. Talvez por isso seja a sereia de modos mais simples. Maria Helena recebeu Olavo com um sorriso global, destes que abrangem todos os cantos do quarto, e que se possuísse raios-ultravioleta, expandiria mansão afora. Talvez atingindo até alguns peixinhos. Dentro de seu quarto, Maria Helena mostrou a Olavo seu objeto mais precioso: um tapete persa de muitos metros, que percorria todo seu quarto. Diz a sereia que achou este tapete quando assistia a um ex-governador de Minas Gerais, do alto de sua escondida embriaguez, entregar o tapete ás águas da Lagoa do Barreiro, enquanto bradava que não merecia tapete vermelho estendido para sua insignificância. A sereia tratou de recolhê-lo logo, antes que o enorme mamífero ex-governador pensasse duas vezes. Coisas passíveis de se acontecer por uma embriaguez.
Depois de uma rápida prosa, Olavo despediu-se de Maria Helena e foi logo segurando no braço de Ana Jacinta. “ Você vai me apresentar a todas as 34 sereias? Qual é o seu plano final? Transformar-me em Rei do Fundo da Lagoa?”, perguntou ele. Após um silêncio de 10 segundos, pensando charmosamente na resposta, Ana Jacinta devolveu uma resposta fulminante, olhos nos olhos. “ Olavo, eu acompanhei toda sua trajetória em Araxá. Acredite, estive presente em muitos eventos seus. Dentre todos araxaenses, escolhi você para ser meu dono. Pela sua reação, sei que você ainda não absorveu esta minha decisão. Mas eu soube me preparar, tanto psicologicamente quanto tecnologicamente, para te segurar. Eu nunca tive dono. Você, se tudo der certo, será o primeiro. E para isso, preciso lhe apresentar meu mundo”, concluiu Ana Jacinta.
Olavo acelerou seus passos, quase se conformando. Não sabia exatamente como situar sua história a partir desse momento. O quarto da sereia número 4 era o próximo.

quinta-feira, julho 12, 2007

A beleza não tem cor definida

Branco, preto, amarelo
Elo não desmancha
Mancha se não mistura
Dura se não desmancha
Profundas as cores do mundo
A fundo as cores dos cantos
Encantos das vozes serenas
Amenas as caras contentes
Dos seres nada ausentes
Índios, Pardos, Latinos
Devem sumir os assassinos
Dos que habitam os bancos de praças
Raças todas misturadas
Futuro mais bonito
Infinito

A beleza não tem cor definida

quinta-feira, julho 05, 2007

No fundo da Lagoa do Barreiro-4

Para acalmar a ira de Olavo, e aliviar um pouco as dores do galo, Ana Jacinta deu-lhe duas pílulas de lama e levou-o ao quarto da sereia número 2. Com sua vasta experiência nas questões masculinas, sabia não existir melhor tranqüilizante.

A sereia número 2 atende pelo nome de Agar. Muito séria e concentrada em seus afazeres, Agar recebeu-o bem, porém sem muito papo. Típico dela. Cabelos curtos, quase castanhos, ar de sereia que sabe onde nada.

O quarto da sereia número 2 fica exatamente abaixo do deck dos pedalinhos. Este fato pode ter contribuído para realçar a seriedade de Agar durante os anos. Crianças gritando e pedalinhos arranhando seu teto foram retirando dela sua alegria pouca.

“ Agar, como você agüenta viver numa casa com 34 mulheres?”, perguntou Olavo. “ Ora, Olavo, pois é o chamariz perfeito para os homens que Ana Jacinta traz para cá, Olavo, O Escolhido”, soltou Agar para o espanto de Olavo, não entendendo esta nova expressão que pulou da boca de Agar sem que ela reparasse.

Para que os homens trazidos por Ana Jacinta não lembrassem de suas visitas á mansão jacintiana, as pílulas de lama funcionavam também. Mas neste caso, ela as colocava dentro de um copo de água sulfurosa da Fonte Andrade Júnior, que ela colhia duas vezes ao mês, lá pelas quatro da manhã. Para o delírio dos amigos de um dos porteiros do Grande Hotel, agraciado por muita sorte, segundo ele, com a visão de Ana Jacinta nas duas vezes mensais que ela apareceu para coletar água sulfurosa. Seus amigos sempre trucaram tal informação, não antes de muita ironia com o porteiro.

Do lado de fora do lago, Cordélia coordenava havia 2 dias uma busca por Olavo.Corpo de Bombeiros, IML, pastores rezando, curiosos. Uma multidão se formava toda manhã, sedenta por notícias. Mal ela sabia que Olavo, começando a se contentar com seu novo mundo aquático, ainda tinha 32 quartos para descobrir.